Vereadora de oposição sofre tentativa de assassinato dois dias após anúncio na Câmara do novo Plano Diretor Imprimir E-mail
Política
Qua, 29 de Abril de 2015 05:52

Na noite dessa segunda-feira (27), por volta das 20h40min, logo após o término da reunião ordinária da Câmara Municipal, a vereadora Márcia Regina Eggert Soares (PSDB) sofreu uma tentativa de assassinato por motivação política. Um homem em uma moto disparou 6 tiros contra a casa da vereadora e fugiu do local. Trata-se de uma tentativa de intimidação política, em função dos recentes posicionamentos e fiscalizações da vereadora, e início das discussões do novo Plano Diretor.


Tentativa de assassinato contra vereadora

A tentativa de assassinato aconteceu na noite dessa segunda-feira (27), aproximadamente às 20h40min, após a reunião da Câmara de Vereadores de Itapoá. A vereadora Márcia e esposo retornavam de carro para casa, quando perceberam diversas pessoas em frente a sua residência surpresas com o que tinha acontecido.

Ao chegar em casa, a vereadora percebeu que os vidros da frente do escritório anexo a sua casa estavam estilhaçados e o portão perfurado por balas. A sua vizinha informou que a mais ou menos cinco minutos antes de chegada da vereadora, um homem magro com uma moto CG preta, vestindo roupas pretas e com capacete, parou em frente a casa da vereadora e efetuou em torno de 06 disparos de arma de fogo, e logo em seguida evadiu-se do local com uma moto estourando o escape. O marginal adentrou na primeira rua a direita, quando foi avistado por desportistas de uma cancha de esportes na quadra de futebol e de moradores da rua.

Imediatamente a vereadora fugiu do local (sua casa) para procurar ajuda policial. Foi até a delegacia de polícia de Itapoá por volta das 21h20min, mas estava fechada. Foi até a polícia militar, mas as viaturas encontravam-se fazendo rondas pela cidade. Então, a vereadora ligou para o 190 da polícia militar e foi informada que a PM já estavam na sua residência.


Motivação política para o atentado

A vereadora Márcia Soares (PSDB) está no terceiro mandato consecutivo, e nos últimos meses passou a cobrar e fiscalizar com mais rigor as ações do Poder Público, especialmente do Poder Executivo Municipal. Eleita pelo PSDB, que foi oposição ao atual governo nas últimas eleições municipais, a vereadora mantém posicionamento político de oposição.


Relato da vereadora sobre o acontecimento

O dever de um vereador é de defesa do povo, pois é ele quem representa os munícipes e possui a obrigação de fiscalizar e legislar sobre os assuntos locais da municipalidade. Minha atuação pode ser acompanhada no site da Câmara, seja pelas minhas proposições ou pelas gravações do site da Câmara.

Faço parte da minoria legislativa que busca fiscalizar os atos do Poder Executivo e do próprio Poder Legislativo. Recentemente me opus a eleição das comissões permanentes da Câmara de Vereadores, por ter sido feita ilegalmente. Busquei a tutela judicial impetrado mando de segurança, com objeto de anular a ilegal eleição, e obtive êxito em decisão interlocutória e de mérito.

O executivo municipal tem a maioria dos vereadores integrando a base aliada, o que lhe facilita a votação de todos os projetos de lei, tornando muito difícil a atuação desta parlamentar na combate a corrupção e na fiscalização dos atos do executivo. No entanto, sigo no exercício do meu dever de vereadora e com mandato que me foi concedido nas urnas e em nome da nossa população.

Minha arma é a minha voz, que utilizo seja na tribuna da Câmara, na rádio comunitária, nos jornais. Sou vereadora de oposição, mas uma oposição construtiva e favorável ao município de Itapoá. Elogio as boas iniciativas e ações, mas questiono e cobro a falta de planejamento, a ineficiência administrativa, a má gestão, a corrupção e o descaso com o dinheiro público.

As minhas principais críticas recentemente foram: falta de vagas nas creches; falta de médicos especialistas; e insegurança por falta de efetivo da polícia civil. Mas o projeto mais importantes deste mandato será sem dúvidas o Projeto de Lei do Plano Diretor da Cidade de Itapoá, que vai alterar significativamente a base do ordenamento do município e que está em jogo muitos interesses financeiros, em especial interesses imobiliários e da atividade portuária. A alteração do uso e ocupação do solo de Itapoá dependerá desta nova Lei.

Considerando que o anteprojeto do Plano Diretor foi elaborado por uma empresa que por sua vez foi contratada por uma grande empresa de Itapoá, nos preocupa a subordinação da empresa contratada com o seu contratante, e se atenderá os interesses da maioria da população. Por isso, analisarei linha por linha o texto, e não deixarei de questionar as irregularidades encontradas. E é por isso
(propósito de questionar as irregularidades encontradas no Plano Diretor), que creio ter sofrido esta tentativa de assassinato.

Recentemente fui atacada covardemente por calúnias e difamações através da rede social do facebook, num falso perfil. A polícia civil já está investigando a autoria e já há suspeitos sendo investigados. Também fui atacada covardemente por panfletagens arremessados nos portões das escolas públicas de Itapoá, especialmente na escola onde trabalho, Escola Estadual Nereu Ramos. E agora de forma gravíssima atentaram contra minha vida e de minha família.

Registro também que o projeto de lei do Plano Diretor foi anunciado junto ao Legislativo no dia 25/04/2015, e este atentado contra a minha vida foi uma clara tentativa de me desestabilizar e tirar o foco do projeto de lei que deverá ser muito discutido com a população, inclusive já sendo questionado pelo Ministério Público de Santa Catarina por várias possíveis irregularidades."



Opinião DI - Golpe contra a democracia de Itapoá

Nessa segunda-feira (27), aconteceu um golpe contra a democracia de Itapoá. O atentado contra a vida da vereadora Márcia é um atentado contra o cargo que ela representa, e por consequência uma tentativa de intimidação contra todos os cidadãos de Itapoá.

A omissão de vereadores da oposição por intimidação e violência é um dos mais graves atentados contra a República, pois é o vereador o responsável pela legislação municipal e fiscalização das ações do Poder Executivo. Se há o cerceamento por violência do direito do vereador de se manifestar e opinar, então o Poder e a Voz do povo é cerceado da mesma forma.

É totalmente inadmissível e contrário aos valores mais caros conquistados pela democracia a utilização da violência para controlar e manipular opinião de um legislador. Deve-se respeitar o cargo de vereador, pois o cidadão eleito vereador é um ocupante provisório, mas o cargo de vereador é a representação política permanente do povo. E um ou mais vereadores intimidados por violência tornam totalmente desnecessário a existência do Poder Legislativo, pois não restará funções deste Poder nestas circunstâncias.


A tentativa de assassinato contra a vereadora Márcia Soares é um ato de violência e covardia não apenas contra a vereadora e sua família, mas também contra todos os cidadãos do município de Itapoá que esperam serem representados da melhor forma possível no Poder Legislativo, e que esperam uma vida com progresso, com segurança e com respeito às Leis.


Do Diário de Itapoá.


Última atualização em Qua, 29 de Abril de 2015 17:40
 

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