ARTIGO: Costa do Encanto: promessa ou esperança? Imprimir E-mail
Política
Qui, 12 de Maio de 2011 13:44

Por Werney Serafini.

Aniversário de Itapoá: 22 anos de emancipação política. Como é costume, entre as festividades, homenagens a cidadãos itapoaenses e cidadania a pessoas que contribuíram com o desenvolvimento do município.

Recebeu título de Cidadão Honorário, o Deputado Federal Mauro Mariani, Ex-Secretário de Infraestrutura do Governo Estadual e Manoel Mendonça, ex-titular da Secretaria de Desenvolvimento Regional – SDR.

Nos discursos, destaque para o “Costa do Encanto”, principal projeto para o desenvolvimento do turismo no litoral norte de Santa Catarina. Infelizmente, pouco materializado desde que concebido oito anos atrás.

Vale lembrar, resumidamente, a história do projeto:

Surgiu na primeira gestão do Governador Luiz Henrique da Silveira, que ficou marcada pela descentralização da Administração Pública Estadual. A descentralização teve como propósito, regionalizar e democratizar as ações do governo do Estado. Aproximá-lo das comunidades.

Para isso, foram criadas as Secretarias de Desenvolvimento Regional (SDR's) e constituídos os Conselhos de Desenvolvimento Regional (CDR's) com a finalidade de analisar, debater e deliberar sobre projetos de interesse da região.

Constituída, a secretaria determinou-se à elaboração de um plano, denominado “Projeto Meu Lugar”, com características estruturantes, contemplando necessidades e interesses comuns a todos os municípios. Deveria ser o primeiro projeto regional, portanto prioritário.

Na primeira administração do prefeito Ervino Sperandio, iniciou-se a articulação de uma ideia, denominada “Caminho do Encanto”, que tinha como objetivo institucionalizar um roteiro turístico, iniciando na BR-116, no Portal da Serra da Graciosa, acesso a Morretes (PR), passando pelos municípios do litoral paranaense (Antonina, Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba) e chegando a Itapoá. O entendimento estava na divulgação de um roteiro alternativo para turistas habituados a frequentar as tradicionais praias de Santa Catarina. Um incremento a vocação turística das cidades litorâneas, especialmente Itapoá, isolada da BR 101. Basicamente, um novo trajeto aproveitando a malha rodoviária já existente e repleta de cenários naturais.

A SDR de Joinville, percebendo o alcance da proposta de Itapoá, integrou-a no seu planejamento, transformando-a no projeto Costa do Encanto. Novo roteiro, ampliado e aperfeiçoado, iniciando em Garuva e seguindo para Itapoá, São Francisco do Sul, via Vila da Glória, demandando para Joinville, Barra do Sul, Barra Velha, Araquari e São João do Itaperiu.

Submetido ao Conselho de Desenvolvimento Regional foi deliberado por unanimidade pelos conselheiros de todos os municípios. A proposta entusiasmou as comunidades litorâneas do norte catarinense gerando expectativas reais de desenvolvimento através do turismo.

Entre as metas do projeto a principal estaria a pavimentação asfáltica, notadamente entre Itapoá e Joinville, via Vila da Glória que, não foi executada totalmente. Aliás, muito pouco. Cerca de seis quilômetros do centro da cidade até o Porto de Itapoá, ficando entre as duas, 700 metros não concluídos, conhecido na cidade como o “elo perdido” da Costa do Encanto. Nas demais localidades, quase nada, além de poucos trechos na Vila da Glória e no acesso a Joinville.

Entre as justificativas, dificuldades no tocante aos “licenciamentos ambientais” e, como sempre, “recursos não disponíveis” no Estado. Questões que deveriam ser “previstas”, principalmente as condicionantes ambientais, na elaboração do próprio projeto.

Não obstante, o Costa do Encanto permaneceu presente nas promessas eleitorais das campanhas municipais e estadual. Provavelmente, um dos principais motivos da reeleição do governador Luiz Henrique, foi à expectativa de que com mais uma gestão, seria realizado.

Mas, isso não aconteceu. Ao término do governo reeleito praticamente nada havia sido feito, mesmo com a obtenção de financiamento externo para as obras. Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Regional, o então secretário de Infraestrutura reiterou que o projeto seria executado ainda naquele governo, ao menos nos trechos da Vila da Glória e da ligação com Joinville. O recurso assegurado e as obras em processo de licitação.

Terminou o governo e as obras não iniciaram. E uma surpresa adicional: a imprescindível e esperada ligação entre Itapoá e Vila da Glória precisaria ainda de um “projeto de engenharia”. Portanto, a continuidade do Costa do Encanto ficará, a partir de agora, sujeita as “prioridades” do governo recém empossado.

Como explicou o ex-secretário de Infraestrutura, um projeto dessa envergadura não é simples. Não se faz apenas “sonhando”. Os investimentos são vultosos, os recursos estaduais escassos e as prioridades submetidas a interesses políticos. Explicar aos municípios do oeste catarinense a construção de uma estrada para “turismo” no litoral de Santa Catarina, quando muitos deles necessitam de ligações com a malha rodoviária do Estado, é politicamente complicado, talvez tanto quanto para explicar aos municípios litorâneos que vivem do turismo, a opção de não fazê-la.

Em Itapoá, no momento, as atenções estão voltadas para a estrada de acesso ao Porto que está pronto e precisa operar. Aliás, outra “prioridade” não finalizada. O Costa do Encanto ficará para depois, na “esperança” de que um dia venha a ser realizado. Perdeu o “status” inicial.

Deduz-se que, frente a tantas necessidades não dá para atender todas as demandas. Mesmo a escolhida democraticamente e unanimanente como a primeira de uma região importantíssima para o turismo em Santa Catarina.  Oito anos não foram suficientes. Quem sabe nos próximos...

Diante dos fatos, talvez por estar frustrado, desiludido ou mesmo inconformado, lembrei um experiente professor do curso de administração, quando ao trabalharmos entusiasticamente na elaboração de um projeto semelhante, nos transportou para uma dura realidade ao dizer, em poucas palavras, que “esperança não é um conceito objetivo” e que hoje, poderia ser complementado: nem “esperança” de novas promessas.

Quem sabe não deveríamos pensar em revitalizar a ideia do “Caminho do Encanto”.

Por Werney Serafini.

 

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