Atrasos em obras da Celesc afetam o crescimento da indústria catarinense Imprimir E-mail
Obras
Dom, 10 de Abril de 2011 16:35

Impostos pesados, dólar desvalorizado, concorrência de produtos importados, infraestrutura precária. A indústria catarinense tem um novo fator negativo para levar em conta antes de investir: o risco de faltar energia elétrica.

Atrasos em obras do sistema de abastecimento, de responsabilidade da Celesc, representam uma ameaça real para empresários em seis das sete regiões em que a estatal divide os seus clientes. Um gargalo que pode levar até mesmo à revisão dos investimentos previstos.

Um caso emblemático é o da paranaense Berneck, uma das grandes fabricantes de painéis e produtos de madeira do país, que injetará R$ 350 milhões em sua nova unidade em Curitibanos, no Meio-Oeste.

A espera pela conclusão de uma linha de transmissão de energia forçará a empresa a adiar o início da operação de agosto para novembro. Em dinheiro, isso significa R$ 25 milhões que deixarão de ser faturados.

A fonte do problema não está na falta de planejamento ou de recursos para investimentos da Celesc. Diretores e técnicos da estatal afirmam que os vários atrasos no cronograma de projetos de infraestrutura de distribuição de energia fundamentais para a indústria, responsável por 45% do consumo no Estado, podem ser explicados por dois fatores principais.

O primeiro são embargos ambientais ou por divergências envolvendo desapropriações. Um exemplo é o conflito envolvendo a linha de transmissão Trindade, no Norte da Ilha de Santa Catarina, que espera uma resolução desde 2008.

A Celesc ainda culpa o excesso de chuvas registrado em algumas cidades catarinenses no último ano.

Enquanto isso, grandes empreendimentos estão ameaçados ou caminhando a passos lentos pela falta de garantias no abastecimento elétrico.

A Alliance One, uma das principais fornecedoras globais de fumo, inaugurou uma fábrica de R$ 100 milhões em Araranguá, no Sul do Estado, este mês. Mas o trabalho está restrito ao turno noturno, das 22h às 6h, para evitar os horários de pico.

Em Vidal Ramos, No Vale do Itajaí, a unidade da Votorantim Cimentos, de R$ 380 milhões, já foi concluída, mas aguarda uma linha de transmissão para começar a funcionar.

Na região Norte, o Porto de Itapoá, empreendimento que custou R$ 475 milhões, foi inaugurado em dezembro com a expectativa de entrar em operação no mês passado. Sucessivos atrasos na conclusão do acesso e de uma linha de transmissão frustraram os planos.

Importante polo de atração de investimentos do Estado, Joinville teme que o seu crescimento seja freado. O consumo da indústria local cresceu 20,85% em 2010, o dobro que a média neste segmento no Estado.

Os empresários querem que a Celesc antecipe para este ano investimentos previstos apenas para 2013.

Em São José, o embargo na instalação de uma linha de transmissão de alta tensão e nova subestação em Sertão do Maruim, em São José, impossibilita qualquer novo empreendimento ou ampliação industrial.

Estariam em risco investimentos da Intelbras, do Bistek Supermercados, das construtores RDO e AM, assim como o Continente Park Shopping, o maior do Estado, com inauguração prevista para 2012.

— Se aquela subestação não ficar pronta, não teremos como atender o shopping e as outras empresas que dependem da obra — revela Sidney Luiz Corrêa, chefe do Departamento de Projeto e Construção do Sistema Elétrico da Celesc Distribuição.

A Celesc trabalha em 29 obras de grande porte, nove delas subestações e oito linhas de transmissão.

Matéria do Diário Catarinense.

 

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