Família, que tem casa destruída pela erosão da orla, reclama do descaso do setor público Imprimir E-mail
Natureza
Sex, 25 de Janeiro de 2013 14:00

Casa destruída pela erosão da orla de Itapoá.Em 1990, os pais de Maria Ângela Geraldo, de Londrina (PR) compraram uma casa à beira mar no balneário Imperador. Segundo Maria Ângela, a compra foi a concretização de um sonho, ter uma “casa de praia”. A partir daí, toda a rota de turismo, investimento e consumo da família passou a ser em Itapoá.

Porém, devido à erosão que atinge boa parte da orla de Itapoá, a casa está inutilizável. “Realmente, para nós, tudo isto é muito triste. Tivemos histórias alegres, principalmente para o meu pai, que foi quem mais aproveitou. Para ele, o paraíso era aí em Itapoá”, explica Maria Ângela.

Ela explica que o tempo foi passando e por motivos de trabalho, a família só vinha a Itapoá nas férias (meses de julho, dezembro e janeiro). A partir de 2003, quando as ressacas começaram a preocupar, a família passou a visitar menos a casa. “A minha mãe ia menos ainda, pois teve perdas insuperáveis. Meu pai morreu em 2007, seu filho em 2009 e, depois, minha irmã ficou doente, vindo a falecer mais recentemente, em fevereiro de 2012”, comenta.

Maria Ângela se diz perplexa com o descaso dos setores públicos. “Quando é para pagar, eles manam para tudo quanto é o endereço e tudo era pago no prazo. Não existe dívida neste imóvel. Sabemos, também, que a casa foi saqueada inúmeras vezes. Furtaram TV, panelas, fogão, camas, colchões, pratos, talheres, copos, botijão de gás. Ou seja, tudo o que havia dentro. Tínhamos um caseiro que cuidava do imóvel, mas depois ele desapareceu e não tivemos mais informações”, explica.

Ela diz que a família, mesmo com toda a dificuldade, já esteve em Itapoá, tentando obter respostas sobre como devia proceder, mas não teve êxito. “Mas as cobranças sempre vieram”.

Maria Ângela Geraldo explica que o seu objetivo é mostrar a população de Itapoá e a outros proprietários nas mesmas condições o descaso do setor público em relação aos contribuintes que pagam todas as suas taxas no prazo certo, para um imóvel nesta situação, sem ao menos receber uma correspondência sobre a situação do imóvel. “Eles têm o endereço nosso e por que não nos comunicaram?”, questiona.

A proprietária do imóvel autorizou, por meio de vizinhos e amigos itapoaenses, a demolição da casa, bem como que seja aproveitado o que sobrou, antes que o mar leve tudo.

Sueli Sampaio, vizinha e amiga da família de Maria Ângela, explica que depois de muita luta, conseguiu eliminar a conta de Luz, junto a Celesc, bem como a despesa da Surbi. “Porém, não conseguimos dar baixa junto do IPTU e da água por motivos absurdos referentes ao que a Prefeitura está exigindo”, explica.

“Nos últimos sete anos, a proprietária perdeu o marido, um filho acidentado, uma filha vítima de câncer, e um neto. No auge desse desespero, ainda, essas contas absurdas e a impossibilidade de gastar com viagens para a tomada de providências referentes ao imóvel. Não conseguem dar andamento ao inventário e, ainda por cima, a casa está sendo saqueada. Onde fica o direito de propriedade? Nós vemos em Matinhos (PR), a intenção e projetos para restaurar a orla, visando alargamento da praia, e a reconstrução e defesa das propriedades. E aqui como fica? Ao Deus dará? É muito triste. Não vejo como reconfortar essa família. Não porque eles moram em Londrina que perderam o direito dessa propriedade e de uma resposta do Município, no qual eles têm, ou melhor, tinham uma famosa casa de sonhos na praia, com uma pracinha em frente ao terreno e uma distância considerável do mar. Onde fica e se encaixa tudo isso? É-me, humanamente, impossível responder”, revolta-se Sueli.

“Recentemente, meu marido esteve no imóvel e constatou que, agora, estão levando os pilares e já levaram as janelas. Um horror”, conclui.

Em resposta ao contato do Diário de Itapoá, a Prefeitura de Itapoá explicou que, para o cancelamento do IPTU, a Lei Municipal nº 146/1999, que trata sobre o assunto, diz que é realizado o cancelamento do cadastro municipal de propriedades que foram invadidas pelo mar ou alteradas pela mudança do leito do rio em mais de 50% do imóvel. “Para a solicitação do cancelamento, o interessado deve efetuar um protocolo na Prefeitura A solicitação deve acompanhar a documentação exigida, que é fotocópia autenticada do registro de imóveis, relação dos débitos fiscais pendentes até a data do requerimento, o croqui de localização  e a situação atual do imóvel. Só aí, a Comissão Municipal analisa tal solicitação.

O órgão explicou, ainda, que existe um plano para conter a erosão. Trata-se do Projeto Orla, o qual está em andamento. “Em novembro do ano passado, foi realizada a audiência pública para a apresentação do Plano de Gestão Integrada da Orla Itapoá, que está disponível no site da Prefeitura”, explica o comunicado enviado pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura.


Do Diário de Itapoá, com fotos de Sueli Sampaio e Maria Ângela Geraldo.



 

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