Pesquisadores da UNIVILLE tentam salvar menor espécie brasileira de golfinho Imprimir E-mail
Natureza
Sex, 04 de Novembro de 2011 08:08

ToninhaNo norte de Santa Catarina, na Baía da Babitonga, um grupo de pesquisadores tenta salvar da extinção o golfinho mais tímido do mundo. A espécie em perigo é a 'toninha', o menor dos golfinhos brasileiros. São imagens raras, já que o animal é arredio e não faz questão de se exibir.


Confira o vídeo do jornal Bom Dia Brasil dessa quinta-feira (03), em que apresenta o projeto da preservação das Toninhas na Baía da Babitonga:

http://g1.globo.com/videos/bom-dia-brasil/t/edicoes/v/sc-biologos-se-dedicam-para-salvar-especie-de-golfinho-ameacada-de-extincao/1683403/


A toninha só vive em um trecho do Atlântico Sul, que vai do Espírito Santo até o Golfo de San Matías na patagônia argentina. E um dos poucos lugares onde o misterioso golfinho pode ser observado em seu ambiente natural é a Baía da Babitonga, no norte de Santa Catarina, lar de um grupo de 50 toninhas, monitorado por pesquisadores da Universidade de Joinville.

Das mais de 30 espécies de golfinhos encontradas no Brasil, a toninha é a única ameaçada de extinção. A principal causa é a captura acidental em redes de pesca. São, pelo menos, duas mil toninhas mortas a cada ano no litoral brasileiro. Os pesquisadores estimam que a população já foi reduzida em 30%

Em um esforço conjunto, pesquisadores brasileiros, argentinos e americanos lançaram redes do bem na Baía da Babitonga. Cinco toninhas foram capturadas e receberam um equipamento capaz de transmitir informações para um satélite.

Agora, os golfinhos tímidos não têm como se esconder. Estão a um clique de serem localizados pelos olhos do satélite e de revelarem dados importantes para a criação de uma estratégia de salvação da espécie.


O que é o Projeto TONINHAS
Pesquisadores Univille - Foto do jornal ANotíciaO Projeto TONINHAS é um projeto que visa a conservação e pesquisa da toninha em Santa Catarina, através do monitoramento de indivíduos da espécie. Serão utilizados transmissores satelitais para a investigação de padrões biológicos e ecológicos, mapeamento de áreas prioritárias para a conservação da espécie e sensibilização ambiental das comunidades litorâneas.

O projeto é patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental, realizado pela Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE.



Conheça a TONINHA
Toninhas na Babitonga - Foto de Marta J CremerA Toninha (Pontoporia blanivillei) é um pequeno cetáceo odontoceto da família Pontoporiidae. O único lugar no mundo onde ela pode ser vista, é no litoral da América do Sul, entre o Espírito Santo no Brasil, e o Golfo San Matias na Argentina.

A Baía da Babitonga, em Santa Catarina, é um dos únicos locais em que a espécie ocorre em águas estuarinas. Neste local a espécie é observada ao longo de todo o ano e possui áreas preferenciais para captura de alimento e socialização.

A Toninha é uma das espécies com ciclo de vida mais curto entre os cetáceos. A maturidade sexual é atingida quando os animais possuem entre 2 e 5 anos de idade. As fêmeas dão a luz a um filhote a cada um ou dois anos. O período de gestação dura em torno de 11 meses e o comprimento, ao nascer, varia entre 70 e 80 cm. Os filhotes podem mamar até os 9 meses.

A alimentação da espécie é composta principalmente por peixes ósseos e lulas de regiões estuarinas e costeiras. As presas são de pequeno porte, geralmente em torno de 10 cm.

O comportamento da Toninha é muito discreto, o que dificulta o seu estudo em ambiente natural. Geralmente observam-se indivíduos solitários ou grupos de 2 a 5 indivíduos, podendo, no entanto, formar grupos com mais de 10 indivíduos. A espécie tende a evitar aproximação de embarcações motorizadas, e a execução de comportamentos aéreos é incomum.

Atualmente, capturas acidentais de Toninhas em redes de espera têm sido reportadas ao longo de toda sua distribuição, constituindo o maior fator de risco para sua conservação. A limitação da espécie quanto ao hábitat preferencial e às características do seu ciclo de vida, aliadas à pressão exercida pelas operações de pesca em regiões costeiras, constituem as principais ameaças para a extinção da espécie. No entanto, processos de degradação ambiental em áreas costeiras e estuarinas devem ser levados em conta como causadores de impacto sobre suas populações. A causa do declínio das populações de Toninhas não têm desaparecido, pelo contrário, provavelmente está aumentando devido à expansão da pesca e carência de ações de mitigação dos impactos.

A Toninha encontra-se, ainda, listada no Apêndice II da Conservação sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), da qual a Argentina, Uruguai e Brasil são signatários, e nos Apêndices I e II CMS, Convenção para a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens, a qual o Brasil ainda não é parte.

No Brasil, a espécie está incluída na Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (N3-MMA, 2003), tendo sido classificada como "Vulnerável" no Plano de Ação dos Mamíferos Aquáticos do Brasil (IBAMA, 2001) e como "Em Perigo" no Livro Vermelho da Fundação Biodiversitas. Recentemente, a espécie foi também incluída em diversas listas estaduais da fauna brasileira ameaçada de extinção, incluindo Rio Grande do Sul (categoria "Vulnerável"), Paraná (categoria "Em Perigo"), São Paulo (categoria "Vulnerável"), Rio de Janeiro (categoria "Vulnerável") e Espírito Santo (categoria "Em Perigo").


Toninhas em águas interiores, só na Babitonga

Coalizão Internacional da Vida Silvestre - lança campanha para a criação de uma Reserva de Fauna no litoral de SC. A Reserva da Baía da Babitonga - SC visa proteger a única população de toninhas (um dos menores cetáceos brasileiros) que vive em águas interiores, e que já tem sua distribuição bastante restrita.

Fonte: Jornal Bom Dia Brasil - Rede Globo, site http://www.sfs.com.br/, blog http://projetotoninhas.blogspot.com/ e Plano de Ação Nacional para a Conservação do Pequeno Cetáceo TONINHA (Pontoporia blainvillei). ROCHA-CAMPO et al., 2010.

 

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