ARTIGO: “Os recursos naturais têm data para acabar?” Por Werney Serafini Imprimir E-mail
Natureza
Qua, 03 de Agosto de 2011 23:45

Muito se comenta sobre a exaustão  dos recursos naturais do planeta. Afinal, não são infinitos e um dia podem acabar se não forem adotadas medidas preventivas.

Recentemente, um artigo sobre o assunto destacava que em 21 de agosto do ano passado os habitantes da Terra – o homus sapiens -  tinham consumido todos os recursos proporcionados pelo planeta para o período daquele ano. Ou seja, em nove  meses o que deveria ser gasto em doze. A partir da data a humanidade passou a viver dos créditos relativos a 2011. Como algumas pessoas fazem ao  utilizar o cartão de crédito para cobrir déficits do orçamento doméstico.

Os cálculos para determinação da data foram feitos pela ONG Global Footprint Network (GFN). Segundo eles, em termos ecológicos, foram necessários nove meses para esgotar o total disponível para o período de um ano. Nas contas consideraram o fornecimento de água, matérias primas e alimentos.

Em 2009, a  Global, havia fixado a data de 25 de setembro, uma folga de 30 dias em relação a 2010. Entretanto,  isso não significou que o desperdício tenha sido diferente. Informaram que os números foram revisados, pois superestimaram a produtividade das florestas e exageraram a capacidade de regeneração da natureza na absorção dos excessos humanos.

A conta é resultado de uma equação composta pelo fornecimento de serviços e recursos ambientais comparando-os aos rejeitos do consumo humano, isto é, aos dejetos, resíduos e  emissão de poluentes, como o CO2.

Alertaram que em 1980, a “pegada ecológica” era equivalente aos recursos disponíveis na Terra e que, hoje, trinta anos passados, é 50% maior.

Uma pessoa que gasta a totalidade do seu orçamento em nove meses e tem outros três pela frente, deveria ficar preocupada. A situação não é menos grave quando se trata do orçamento ecológico. Atinge a todos, independente das atitudes individuais.

Mudanças climáticas, perdas de biodiversidade, desmatamento, desperdício de água e de alimentos são evidências de que não se pode mais continuar a consumir por conta de créditos futuros.

O pessoal da ONG entende que essa tendência precisa ser invertida e julgam  necessário que a população mundial comece a diminuir. Para eles um tabu que, aos poucos, está sendo desmistificado entre os demógrafos e defensores do meio ambiente. Argumentam que intuitivamente é o que as pessoas vêm fazendo atualmente, bastando verificar que a quantidade de filhos por família vem diminuindo.

O crescimento demográfico é preocupante. Pode ser uma das causas dos problemas ambientais, mas não a única. É perceptível a concentração urbana, inclusive nas médias e pequenas cidades. Mais ainda as consequências decorrentes. Itapoá, por exemplo, nos últimos dez anos – fato comprovado no censo – apresentou crescimento superior a 60%, antecipando o que deveria acontecer no ápice da atividade portuária. A administração pública não consegue com seus  recursos atender as necessidades, como as obras de infraestrutura, especialmente o saneamento básico.

Entretanto, mesmo ocorrendo uma diminuição significativa na quantidade de nascimentos, outras variáveis deveriam  ser consideradas. A distribuição desigual das riquezas é uma delas.

Apenas um terço da população mundial, localizada principalmente nos países desenvolvidos e ricos, e também nos demais (Brasil), têm acesso ilimitado aos benefícios proporcionados pelo crescimento econômico que utiliza abundantemente os recursos naturais.  Os outros dois terços vivem em condição de pobreza ou na linha abaixo dela.

Caso essas pessoas tivessem acesso imediato aos padrões de consumo da parcela privilegiada, a “pegada ecológica” seria muito maior e a data estipulada pela ONG antecipada.

Um  sul americano pobre ou um africano em estado de extrema pobreza, consumindo tanto quanto um europeu ou americano rico e agregando ainda os milhões de chineses desvinculados do mercado de consumo, implicaria que um só planeta não seria suficiente para manter esse enorme contingente de pessoas excluídas.

Portanto, a questão  da exclusão é fundamental. Não obstante, algumas pessoas poderiam chegar à conclusão de   que as desigualdades são inevitáveis ou até mesmo “necessárias” para manter o equilíbrio atual. No entanto, tanto quanto a  pressão sobre os recursos naturais, as diferenças sociais poderão gerar conflitos irreversíveis para a continuidade da vida humana na Terra.

A questão demográfica, sem dúvida, é um grande desafio para a espécie humana. Mas não parece ser o único e nem a solução de todos os problemas ambientais. Há que se pensar em novas alternativas econômicas, especialmente em relação ao modelo industrial produtor de mercadorias e serviços que para ser sustentado depende de crescimento contínuo e para mantê-lo  de incremento desmedido do consumo.

Essas questões parecem que não foram  incluídas  nas variáveis utilizadas pela ONG. Talvez valesse uma nova revisão para os cálculos de 2011.

Por Werney Serafini.

 

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