ARTIGO: Parque Natural Carijós, por Werney Serafini Imprimir E-mail
Natureza
Dom, 19 de Junho de 2011 23:16

Em 22 de dezembro de 2005, uma prestigiada solenidade marcava o início do maior empreendimento empresarial realizado na história de Itapoá. Destinado a mudar o perfil econômico do município.

No Pontal da Figueira, no lado continental da Baía da Babitonga, era lançada a Pedra Fundamental da construção do Porto de Itapoá.

Presentes o governador de Santa Catarina, representantes do alto escalão da administração federal, estadual e municipal, deputados, vereadores, empresários e populares. Uma festa memorável.

Em 5 de junho de 2011, uma singela solenidade marcou o início da constituição da primeira unidade de conservação pública do município. Reconhecimento inequívoco da relevância ambiental de Itapoá.

Na margem do rio Saí-Mirim, nos fundos do Balneário Brasília, foi lançada a Pedra Fundamental do Parque Natural Municipal Carijós.

Presentes vice-prefeito, diretor de Meio Ambiente, diretora de Cultura de Itapoá e representantes das ONGs ambientalistas, além de pessoas interessadas na conservação da natureza do município.

Dois eventos significativos. Um, por ser o marco de um novo processo de desenvolvimento econômico do município. Outro, por ser a primeira iniciativa concreta para a proteção da vegetação nativa à margem do principal manancial hídrico de Itapoá.

O parque é uma pequena unidade de conservação. Modesta por assim dizer. Abrange não mais que 40 hectares de uma área pública no entorno da região mais populosa e carente de Itapoá. As demais áreas naturais do território permanecem desprotegidas, em que pese à existência das Áreas de Proteção Permanente (APPs) e o Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE), delimitando expressiva área de proteção ambiental.

 Porto de Itapoá está pronto e entrará em operação neste semestre.

O Parque, criado pela Lei Municipal 300/2011, em fase de elaboração do Plano de Manejo.

Os recursos da compensação ambiental da estrada de acesso ao porto e da linha de transmissão de energia serão destinados a implantação e operacionalização do parque. Um dos resultados positivos proporcionados pelo porto para o meio ambiente em Itapoá, não desconsiderando os demais benefícios advindos do empreendimento.

Não devemos esquecer o fato de que pela inexistência de unidades de conservação públicas no município, os recursos oriundos da compensação ambiental da construção do porto não foram investidos em Itapoá. Ao contrário, foram redirecionados para outras localidades como São Francisco do Sul/SC e Guaratuba/PR, que possuem unidades de conservação públicas estruturadas há muito tempo.

No entanto, é importante se ter consciência de que uma unidade de conservação não se presta unicamente para justificar a destinação de recursos de compensações ambientais dos impactos dos empreendimentos empresariais.

É mais do que isso. No conceito, está inserida a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade associada às florestas. Da avifauna e da flora. Da manutenção dos serviços ambientais por elas prestados e que beneficiam a todos indistintamente. Do direito constitucional de ser ter um meio ambiente saudável. Da qualidade de vida da população. Da responsabilidade para com as novas gerações.

O Parque Natural Carijós é uma unidade de conservação de proteção integral. Portanto, poderá ser utilizado em pesquisas, ecoturismo e principalmente, como instrumento para a educação ambiental.

A expectativa é de que efetivamente isso venha a ocorrer. Que se tenha um parque integrado nas questões socioambientais. Que promova a sensibilização dos itapoaenses, em especial dos jovens, para a conservação do ambiente natural.

Que possa abrigar um Centro de Visitação Pública aliado a um Centro de Educação Ambiental para atuar nas escolas de ensino público e por extensão nas comunidades de Itapoá. Esse deveria ser o verdadeiro motivo para a sua criação.

O Parque Natural Carijós sem dúvida foi o mais significativo evento ocorrido na Semana do Meio Ambiente. Um exemplo inspirador para a criação de outras unidades de conservação, numa Itapoá cuja característica é ter a maior porção do seu território coberta pela vegetação nativa da Mata Atlântica. Diferencial único e privilégio de poucas cidades litorâneas da Santa e bela Catarina.

Ao lado da Pedra Fundamental, foi plantada uma árvore tradicional da região - o guanandi (Calophyllum brasiliense) -, por Mônica, cidadã vibrante que na plenitude dos 90 anos de vida, deu uma demonstração de fé e comprometimento com o futuro.

Por Werney Serafini.

 

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