ARTIGO: Mais uma das abelhas, por Werney Serafini Imprimir E-mail
Natureza
Sex, 25 de Fevereiro de 2011 20:59

Mal terminado o texto sobre as abelhas e o seu importante papel na polinização das plantas, surge no site Inovação Tecnológica a notícia de outra inusitada contribuição da espécie. Agora, para a ciência da computação.

Existe um antigo dilema, velho conhecido dos matemáticos e cientistas da computação, denominado “Problema do Caixeiro Viajante”. Caixeiros viajantes eram pessoas que antigamente saiam vendendo mercadorias dos mais diversos tipos, nas cidades do interior.

Um caixeiro deveria percorrer várias localidades valendo-se do caminho mais curto entre elas e que possibilitasse visitar todas, da forma mais racional e eficiente possível.

O problema permanece sem solução satisfatória. O fato é que não existe um algoritmo capaz de resolvê-lo. Algoritmo é uma sequência bem definida de instruções não ambíguas, cada uma delas podendo ser executada mecanicamente num determinado espaço de tempo e com mínimo esforço (Wilkpedia).

Os supercomputadores podem levar dias tentando achar a solução para resolver essa questão e num número relativamente pequeno de cidades, pois precisa comparar todos os arranjos dos possíveis roteiros.

Na Universidade de Londres, Inglaterra, uma equipe de pesquisadores, liderada pelo professor Lars Chittka, descobriu que as abelhas encontraram a solução sem precisar de algoritmos ou tecnologia de supercomputadores.

Na coleta diária do néctar e pólen precisam determinar a rota mais eficiente para visitar uma infinidade de flores. Têm que associar centenas delas de forma a minimizar as distâncias das viagens e depois, encontrar o caminho de casa. Tarefa nada fácil, considerando-se que possuem um cérebro do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Os cientistas identificaram nas abelhas um “circuito neural mínimo” capaz de solucionar problemas complexos como esse.

Utilizaram flores artificiais controladas por computador para verificar se as abelhas seguiriam rotas definidas pela ordem em que descobriam as flores, ou se procurariam apenas as mais curtas.

Surpreenderam-se ao constatarem que, depois de explorar a localização das flores, aprendiam rapidamente a fazer o percurso mais curto possível. A parte mais complicada da pesquisa, segundo eles, foi esperar o computador calcular o menor caminho, para checar se as abelhas estavam certas. E elas estavam.

A descoberta proporciona uma ampla gama de aplicações. Desde a entrega de pacotes de dados na internet ou de pacotes reais pelos Correios, até a eliminação de engarrafamentos nas grandes cidades, entre outros.

As abelhas, mesmo tendo um pequeno cérebro, podem resolver o problema que para a espécie humana, detentora de privilegiado cérebro e com auxílio da alta tecnologia, transformou-se em um dilema. Isso poderá melhorar a capacidade de administração das suas necessidades diárias, sem depender de computadores superpoderosos.

A natureza tem mistérios que os humanos ainda desconhecem, mas para partilhá-los é preciso prestar atenção aos demais seres vivos do planeta. Todos, de uma ou outra forma, sempre têm com o que contribuir. Afinal, tanto quanto as abelhas, compomos a biodiversidade da Terra.

Em Itapoá, na Chácara da Capororoca, Dona Mônica mantém uma colmeia de pequenas Jataís para a polinização do fragmento de Mata Atlântica existente no quintal. Uma iniciativa simples que merecia ser amplamente disseminada. Certamente, as árvores e plantas agradeceriam.

Por Werney Serafini.

 

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