ARTIGO: Um ilustre personagem, por Werney Serafini Imprimir E-mail
Natureza
Sex, 18 de Fevereiro de 2011 22:34

Imagem de Miguel Arcanjo Minotto.A cena, no mínimo, é bizarra. Um siri entretido com uma lata de “Skol” deixada, esquecida ou jogada – sabe-se lá -, no seu habitat natural, as pedras de Itapema, na praia de Itapoá.

O excelente flagrante, do blogueiro Miguel Arcanjo Minotto, do “Itapoá por dentro”, leva a leituras diferentes.

Uma delas, hilária: o siri beberrão, seduzido pelo prazer refrescante da ‘geladíssima’ tão alardeada pela mídia. A gosto dos aficionados cervejeiros da praia.

A outra, contundente, mostrando a indignação do crustáceo com os “resíduos” deixados na praia durante a temporada de verão. E convenhamos isso é o que não falta!

Esse ilustre personagem merece um comentário a seu respeito:

O siri azul (Callinectes sapidus), conhecido por siri-tinga, ou simplesmente siri, é um dos maiores do litoral brasileiro. Pode ter mais de quinze centímetros de envergadura. Vive nas praias, lodosas ou não, tanto rasas quanto profundas. Costuma adentrar nos riachos que desembocam no mar e é abundante em águas salobras. A fêmea é menor que o macho e para desovar retorna ao mar, onde suas larvas se desenvolvem.

As patas traseiras servem como remos, e são utilizadas para locomoção. As pinças dianteiras se prestam para agarrar os alimentos e também como arma de defesa. A pinçada que dá, ao ser provocado, é dolorida. Antigamente, as pessoas ao banharem-se nas águas repletas de siris, usavam sapatilhas de borracha para se protegerem. Hoje, não se tem visto esses apetrechos. Talvez, os siris não sejam mais tão abundantes assim.

É omnívoro, ou seja, consome de tudo. Habitualmente, peixes e outros seres do mar. Na verdade, qualquer artigo que possa encontrar principalmente cadáveres. Por essa razão, é conhecido como um dos lixeiros do mar, o que talvez possa explicar a lida com a lata tão impropriamente descartada. Desconheço pesquisas que comprovem a predileção por líquidos como a cerveja.

Com essas qualificações, e especialmente a inusitada foto, ocorreu-me uma ideia para a próxima temporada. Por que não valer da imagem, se o autor concordar é claro, para uma campanha educativa sobre a importância de se manter a praia de Itapoá limpa. Assim do tipo: “Turista, colabore com o siri na limpeza da praia. Não deixe o lixo na areia. Ele agradece.” Nada que um criativo publicitário não possa desenvolver. Poderia compor uma ação integrada das Secretarias de Turismo, Meio Ambiente, Educação e Cultura da Prefeitura.

Estou certo de que ele, o siri, dispensaria o cachê. A Skol poderia contribuir na criação e, evidentemente, com os custos da campanha. Uma simpática demonstração de que se preocupa com o consumo responsável dos seus produtos.

Em consideração ao versátil personagem de Itapoá, vou pensar duas vezes antes de pedir aquela deliciosa casquinha de siri para acompanhar a cervejinha estupidamente gelada.

Por Werney Serafini.

Imagens de Miguel Arcanjo Minotto.



 

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