ARTIGO: A sacola mais ecológica, por Werney Serafini Imprimir E-mail
Natureza
Ter, 08 de Fevereiro de 2011 11:18

Para se saber o que é mais ou menos impactante ao meio ambiente é prudente uma análise ampla, focando o todo e não apenas o particular.

Um assunto em voga e muito discutido entre os que consideram a utilização das sacolas distribuídas nos supermercados prejudiciais ao meio ambiente, justifica esse tipo de leitura.

Quais seriam as mais e as menos impactantes? As de plástico, as de plástico biodegradável, as de papel ou as reutilizáveis? Aparentemente, as mais seriam as de plástico e a menos a reutilizável. Será?

Uma série de fatores precisa ser levado em conta, entre estes como cada tipo de sacola é produzido; as matérias primas utilizadas; o sistema de tratamento do descarte, se por coleta seletiva, depósito em aterro sanitário, lixão, incineração, reciclagem, entre outros.

Segundo matéria publicada no O Eco, a empresa Ecobilan, da Pricewaterhouse Coopers, a pedido da rede de supermercados Carrefour, - e que tem filiais no Brasil -, comparou os impactos causados pelas sacolas disponibilizadas aos clientes franceses. O estudo foi realizado com base na avaliação do ciclo de vida de cada sacola.

Quatro tipos foram analisados: a biodegradável, à base de amido de milho (25 litros); de plástico (14 litros); de papel (20 litros); e reutilizável (37 litros).

Como unidade de comparação a quantidade de sacolas necessárias para embalar 9.000 litros de produtos vendidos no Carrefour, correspondentes ao consumo médio anual de um cliente francês.
Ao contrário do imaginado, as de plástico apresentaram os melhores resultados, pois levando em conta a maioria dos indicadores ambientais, foram as que menores impactos causaram. Só obtiveram resultados inferiores em relação ao risco ambiental quando jogadas diretamente no meio ambiente.

Somente com reutilização superior ou igual a quatro vezes, a sacola reutilizável seria menos impactante que a sacola de plástico. Isso de acordo com os indicadores pesquisados, tais como: a emissão de gases de efeito estufa, o consumo de energia e água na fabricação, acidificação da atmosfera, produção de resíduos etc.

Cabe destacar que o estudo foi feito pela rede Carrefour na França e, por conseguinte, não se aplica as circunstâncias brasileiras. Aqui, as de plástico são utilizadas uma única vez e como saco de lixo, geralmente sem serem recicladas. Acabam congestionando os aterros sanitários.

A pesquisa serve para demonstrar a complexidade que envolve a simples indagação de qual sacola é mais ou menos impactante. Os diversos fatores examinados, entre eles a destinação final e a quantidade de usos dado a cada modelo, mostram ser fundamentais na avaliação dos efeitos de cada uma no meio ambiente. Portanto, uma conclusão superficial poderia induzir a erro e o que seria uma contribuição, ao contrário, não resolveria a questão.

É obvio que o tratamento dos resíduos sólidos na grande maioria dos municípios brasileiros deixa a desejar e que as sacolas dos supermercados terminam, invariavelmente, nos aterros sanitários ou pior, nos lixões a céu aberto ou ainda, em terrenos baldios. Realidade diferente na França.

Em Itapoá, o lixo é levado para o aterro sanitário em Mafra/SC, transferindo o impacto para outro município, em que pese os custos relativos à coleta e transporte pagos pela prefeitura.

Não sei de estudos semelhantes feitos no Brasil, o que poderia ser uma sugestão para a rede de supermercados que, preocupada com os efeitos causados ao meio ambiente, atua em quase todo planeta.

O que se percebe em geral é que nos empreendimentos, os custos sociais e ambientais são tratados como externalidades, não sendo incorporados aos custos de implantação, consequentemente os impactos acabam debitados para a sociedade.

Por Werney Serafini, publicado no Correio do Litoral.

 

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