Parque Natural de Itapoá, por Werney Serafini Imprimir E-mail
Natureza
Ter, 21 de Dezembro de 2010 19:02

O Governo Federal noticiou a criação de importantes unidades de conservação: o Refúgio de Vida Silvestre Boa Nova e o Parque Nacional de Boa Nova, que juntas somam 32 mil hectares de áreas protegidas na Bahia. Criou também o Parque Nacional Serra das Lontras, que abriga 16 espécies de aves ameaçadas de extinção, além do Parque Nacional Alto do Cariri, na região de Guaratinga. Essas unidades chegam a 38 mil hectares aproximadamente.

Para a criação dessas áreas de proteção, utilizou o critério internacional das chamadas Áreas Importantes para a Conservação de Aves (IBAS, sigla em inglês). No mundo são oito mil IBAS, 237 no Brasil. Uma das brasileiras é Itapoá.

O Brasil está entre os três países com maior número de aves, são 1834 espécies, 122 sob ameaça, 234 endêmicas, ou seja, não existem em nenhum outro lugar. Infelizmente, ocupa o primeiro lugar em termos de espécies ameaçadas de extinção.

A Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (Save Brasil) vinha alertando sobre a ameaça à biodiversidade dessa região do sudoeste baiano, principalmente da avifauna existente. A ONG, que é a representante brasileira da Birdlife Internacional, identificou em Boa Nova 396 espécies de aves, das quais 14 ameaçadas de extinção.

Sob o aspecto ornitológico, Itapoá é considerada Área Importante para a Conservação de Aves. Aqui ocorrem oito espécies globalmente ameaçadas, fato que torna relevante a conservação dos remanescentes de Mata Atlântica do município através da criação de unidades de conservação.

O inventário avifaunístico realizado na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Reserva Volta Velha, identificou cerca de 240 espécies e, atualmente, mais de 300 têm registro oficial. Por essa razão, a reserva é visitada por biólogos, pesquisadores e observadores de aves de todo o mundo.

Entre as espécies estão a Maria-Catarinense, o Bicudinho-do-Brejo, a Maria- da-Restinga, o Patinho-Gigante, a Saíra-Sapucaia e o Pica-Pau-de-Cara-Canela. A Maria-Catarinense, em particular, é endêmica da avifauna de Itapoá e se encontra ameaçada de extinção a nível nacional segundo o Ibama e, a nível global, segundo a International Union for the Conservation of Nature (IUCN), o que justifica atenção quanto a sua proteção. É importante destacar que o principal motivo para o atual status de conservação em que se encontra é a diminuição do seu habitat natural, as florestas da planície litorânea.

Pela raridade e importância ornitológica, a Maria-Catarinense deu fama à reserva e, por extensão, ao município de Itapoá, que é considerado referência internacional para Observação de Aves. Atração para birdwatchers nacionais e internacionais que vêm a Itapoá todos os anos.

A prática da Observação de Aves está inserida nas atividades do turismo de natureza e apresenta expressivo crescimento mundial, notadamente no Brasil. Em Itapoá, atrai espontaneamente centenas de pessoas, entre elas, americanos, canadenses, japoneses e europeus de considerável poder aquisitivo, que para cá se deslocam em razão da diversidade e quantidade de aves existentes. Certamente, uma vocação latente para o turismo na cidade.

A Associação de Defesa e Educação Ambiental – ADEA – tem incentivado a divulgação desse atributo único de Itapoá. Articulou na Câmara de Vereadores proposição para que a Maria-Catarinense fosse a Ave Simbolo da cidade, em reconhecimento a contribuição na divulgação do município. A sugestão, aceita por unanimidade, deu origem a Lei Municipal nº 261 de 09 de dezembro de 2009.

A iniciativa da prefeitura, através do Departamento de Meio Ambiente, ao propor a criação do Parque Natural Municipal, vem ao encontro da importância de se conservar e preservar o patrimônio natural do município, e será a primeira Unidade de Conservação pública. Na Consulta Pública, o projeto de criação foi aprovado por unanimidade, comprovando a assertividade da proposta.

O Parque Natural de Itapoá, com 40 hectares de território, nas margens do Saí-Mirim, é o embrião para a criação de outras unidades de conservação e, certamente, será ampliado, com recursos de compensações ambientais dos investimentos realizados na área retroportuária do Município. O principal deles, originário da implantação do Porto, foi destinado a outras unidades de conservação, na ausência de áreas públicas de proteção em Itapoá.

Dezembro de 2010 será um marco na história de Itapoá: o governo municipal deu início à criação da primeira unidade de conservação pública do município. Uma atitude de responsabilidade para com o patrimônio natural da cidade e de respeito a todos que, verdadeiramente, desejam uma cidade pujante, moderna, ambientalmente adequada e socialmente desenvolvida.


Por Werney Serafini.

 

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