Um bom exemplo, por Werney Serafini Imprimir E-mail
Natureza
Sex, 10 de Dezembro de 2010 08:11

Uma notícia promissora postada no blog “O Defensor da Natureza” de Germano Woehl Jr.: “Brasileiros fazem doações para salvar a Mata Atlântica”.


Segundo Woehl, “um acontecimento extraordinário que poderá ficar na história da luta para salvar a natureza do Brasil: pela primeira vez conseguimos sensibilizar as pessoas para nos ajudar a salvar a Mata Atlântica com doações para comprarmos as matas bem preservadas que ainda restam”.


Com a participação de diversos doadores, adquiriram nas cabeceiras do rio Itajaí, em Itaiópolis/SC, mais de 300 hectares de Mata Atlântica preservada que, incorporados a outras áreas, serão transformados em 800 hectares de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Tudo começou com apenas dois hectares de floresta.


A área abriga dezenas de aves e mamíferos ameaçados de extinção. Possui árvores centenárias e corredores contínuos de matas ciliares.


A maior parte dos recursos para a aquisição da área foi doada pela IUCN da Holanda, que aprovou e investiu no projeto de compra. A segunda maior contribuição foi do próprio Germano Woehl, com recursos de economias pessoais.


Germano e sua esposa Elza, fundadores do Instituto Rã Bugio de Jaraguá do Sul/SC, dizem que conseguir o recurso foi apenas uma das etapas. O êxito da iniciativa se deu pelo envolvimento e a intensa mobilização de pessoas. Por pouco não perderam a área para investidores interessados em reflorestamentos de eucalipto e pinus.


Um apoiador importante do projeto foi o representante legal da indústria madeireira proprietária do terreno, dando preferência de compra e mantendo o preço acertado por mais de um ano, prazo necessário para a tramitação legal do negócio. Seu pai, empresário de sucesso, falecido em 1978, aos 44 anos, teria sido o responsável por manter a mata preservada e, por essa razão, a unidade de conservação será chamada RPPN Odir Zanellatto, em homenagem póstuma.


Destaca, também, o apoio de ONGs como a SPVS de Curitiba/PR, fundamental na concretização da compra. Atuou em sinergia arcando com os custos necessários para a vinda do diretor da IUCN/Holanda na fase final da aprovação para a doação dos recursos. Pode parecer pouco, mas imprescindível para o suporte de ações das instituições sem fins lucrativos.


A Mata Atlântica, especialmente em Santa Catarina, precisa da participação da sociedade para salvar os poucos remanescentes que restaram. A RPPN Odir Zanellatto é um projeto piloto, criado pelos Woehl, que pretendem na sequência dar escala ao tamanho da reserva, incorporando áreas do entorno.  Desejam que a experiência seja compartilhada em mais localidades. Tendo como princípio seriedade e total transparência, querem obter adesões para a aquisição de outras áreas de matas preservadas.


Por que não aplicar o exemplo em Itapoá? Aqui existem áreas remanescentes ou degradadas que necessitam de conservação ou recuperação. São resquícios significativos das florestas de planícies costeiras do sul do País. No território demarcado pelo Planejamento Ecológico Econômico, empresas reflorestadoras, possuem áreas plantadas com espécies exóticas, algumas desativadas por apresentarem baixo desempenho florestal, nas quais caberiam ações semelhantes. São áreas isoladas em meio à extensa Mata Atlântica e no entorno da Reserva Volta Velha, unidade de conservação privada, a única existente em Itapoá.


Entretanto, ações como a empreendida por Germano Woehl precisam de apoio. Da sociedade, das empresas que estão implantando seus negócios no Município, do poder público, tanto do executivo quanto do legislativo, mas fundamentalmente da mobilização das pessoas e de líderes com visão de futuro.


A Prefeitura está convidando a população para participar, dia 14 de dezembro, da Consulta Pública para Apresentação de Projeto para Criação de Parque Municipal em área pertencente ao município nas margens do Saí-Mirim. Quem sabe surge dessa iniciativa a primeira unidade de conservação pública em Itapoá.


O desenvolvimento econômico precisa assumir as condicionantes ambientais. Não pode ficar dissociado. Isso é fundamental para obter qualidade de vida. Sem essa visão, estaremos destinados a ser apenas outro exemplo de irresponsabilidade socioambiental que comprometerá o futuro.


Itapoá cresceu, está crescendo e quer continuar crescendo. Mas com ordenamento urbano, responsabilidade social e equilíbrio ambiental adequado, reservando parte de seu território para unidades de conservação. Não poderá ser transformada exclusivamente num imenso depósito de contêineres, indústrias impactantes ou espigões de concreto a beira mar.


Por Werney Serafini.


O texto acima é de responsabilidade do seu autor e não expressa, necessariamente, a opinião do Diário de Itapoá.

 

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