Invasão de águas-vivas e caravelas no litoral itapoaense Imprimir E-mail
Natureza
Qua, 17 de Novembro de 2010 20:52

Nos últimos dias, uma grande quantidade de águas-vivas e principalmente caravelas apareceram nas praias de Itapoá.


Moradores e veranistas que costumam caminhar e praticar atividades físicas na praia, notaram uma grande quantidade de águas-vivas e caravelas ao longo do litoral de Itapoá. Além dessas pessoas, alunos do curso de formação de guarda-vidas civis, que estão em treinamento de salvamento aquático, relataram o risco de incidentes com eventuais queimaduras provocadas pelas caravelas.

Uma das possíveis explicações para tantas caravelas, conforme análise da professora Maria Angélica Haddad, do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é de que o vento forte no Litoral tenha levado as águas-vivas e caravelas até a costa. "É comum que o vento leve as caravelas. Já as águas-vivas não estão tão sujeitas a isso, mas o vento forte pode tê-las levado também", explica a professora.
 
Perigo de Queimaduras
A queimadura ocorre quando a pessoa encosta na água-viva ou caravela, que libera uma substância tóxica e urticante. A reação à queimadura depende do organismo de cada pessoa. Os casos mais graves ocorrem se a pessoa for alérgica. Neste caso, pode haver choque anafilático – uma reação alérgica mais intensa, com trancamento da glote e taquicardia, o que pode levar à morte, explica o médico Luiz Carlos Pereira, chefe do serviço de Dermatologia da Santa Casa de Curitiba, em reportagem concedida ao jornal Gazeta do Povo no começo desse ano.
 
O médico alerta para quem for queimado a procurar um posto de saúde imediatamente. “O tratamento não pode ser feito por um leigo. O médico saberá quais são os anti-inflamatórios e os antialérgicos corretos”, afirma Pereira.
 
Conforme instrução de salvamento aquático do Corpo de Bombeiro de Itapoá, caso o banhista sentir a ardência deve sair imediatamente do mar, pois a pessoa pode ter queda de pressão por causa da substância tóxica, o que pode causar afogamento. Além disso, nunca se deve tentar arrancar o animal, pois haverá queimaduras nas mãos.
 
Há formação de bolhas no local em que a água-viva encostar, as quais não devem ser estouradas, pois a substância retida pode se espalhar e penetrar em outros pontos da pele. Nunca coloque água doce no local da queimadura, pois isso facilita o rompimento da bolha. Para aliviar a dor, a pessoa pode colocar vinagre na queimadura e deve seguir para um posto de saúde. O Corpo de Bombeiros disponibiliza, na temporada, aos veranistas, vinagre nos postos de guarda-vidas. Também é possível lavar o local com água do mar e soro fisiológico.

Fonte: Diário de Itapoá e Gazeta do Povo



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A Invasão das Águas-Vivas na Costa Brasileira
 
Enquanto a maior parte das espécies animais luta por sua sobrevivência, a água-viva está em crescimento desordenado e causando danos ao ecossistema marinho
 
No Brasil, de alguns anos para cá, houve um aumento considerável de águas-vivas nas praias brasileiras, chegando a causar pânico entre os banhistas. As mudanças climáticas da Terra, impulsionadas pelo comportamento humano, que elevam a temperatura do planeta e a dos mares, além da pesca predatória industrial, têm criado "zonas mortas" onde predominam zooplânctons (conjunto de organismos aquáticos que não tem capacidade fotossintética e que vivem dispersos na coluna de água, sendo arrastados pelas correntes), que servem de alimento das águas-vivas. O que está acontecendo é que esse animal de 600 milhões de anos, que já sobreviveu a diversas eras e extinções de espécies, está se proliferando absurdamente, irrefreavelmente,e lotando aos milhões diversos mares. 


Segundo o biólogo Guilherme Augusto Domenichelli é difícil afirmar  se o aparecimento das águas-vivas está relacionado somente à rota migratória (elas  costumam migrar para águas mais quentes). Já foram encontradas no litoral brasileiro espécies de outros países. Não se sabe como esses animais chegaram aqui : se por mudanças  de rota ou por "carona" nos cascos de navios. O certo é que todo ser vivo introduzido em determinada região afeta muito o ambiente natural do local, podendo trazer danos às espécies nativas. Para Domenichelli, as alterações  climáticas ou o desequilíbrio ambiental no habitat da espécie pode ter sido os principais causadores  da proliferação do animal na região. 


"É uma inverdade quando dizem que estes animais marinhos atacam as pessoas . As ocorrências não podem ser chamadas  de ataque porque as águas-vivas são carregadas pela maré e liberam o seu veneno apenas quando se sentem ameaçadas por predadores" , afirma o especialista. 


Embora existam mais de mil espécies de águas-vivas espalhadas pelo mundo, quatro delas têm aparecido com mais relevância nos relatos de acidentes  com seres humanos no Brasil: Tamoya haplonema e Chiropsalmus quadrumanus  e as caravelas Physalia physalis e Olinda sambaquiensis. Segundo o biólogo,a água-viva e a caravela -portuguesa (ou garrafa azul, como é conhecida) , encontradas na costa brasileira, são pouco perigosas e, até hoje, não existem relatos de contatos fatais entre esses animais e os seres humanos. Estas espécies possuem tentáculos responsáveis pela produção do cisto, substãncia  que, se colocada em contato com o homem, libera uma substãncia urticante que causa irritação, inchaço e vermelhidão na pele. 


As águas -vivas e as caravelas pertencem ao filo dos cnidários, o mesmo das medusas. Felizmente, as existentes no Brasil não estão entre as espécies que podem levar à morte. as que causam acidentes letais são as medusas  (conhecidas popularmente como águas-vivas), Chironex sp e Chiropsalmus spp e as caravelas Physalia spp. Estatísticas mostram que já ocorreram cerca de 150 mortes provocadas por águas-vivas no mundo, a grande maioria pela espécie  Chironex fleckeri, da Austrália. 


Domenichelli ressalta que todas as espécies possuem veneno, algumas com ação mais forte- o veneno de algumas espécies da Austrália pode matar em poucos minutos. O veneno dos cnidários está localizado nos cnidas, que possuem uma estrutura semelhante a um arpão que injeta  diversas toxinas na vítima, podendo causar problemas neurológicos, cardiológicos e cutâneos. Além disso, a ação do veneno pode causar efeitos alérgicos , e até mesmo a morte. No entanto, as propriedades peçonhentas de um cnidário dependem não somente da composição química do veneno, mas também da quantidade de nematocistos descarregados e da sua capacidade de penetrar na pele da vítima. Vale ressaltar que as quiemaduras por águas-vivas constituem um mecanismo de defesa poderoso: queimam pelo contato para se livrar de ameaças e predadores. 


A explicação para a invasão de águas-vivas na costa brasileira e em outras regiões ao redor do mundo parece residir nos impactos ambientais verificados nos mares atualmente. Atividades humanas danosas, como a sobrepesca e da eutrofização (processo de poluição de corpos d'água) diminuíram drasticamente populações dos grandes predadores de águas-vivas como a anchova, as tartarugas marinhas e a foca monge. Ao mesmo tempo, essas atividades prejudiciais dizimaram severamente as populações de peixes que se alimentam de plâncton, que, por conseqüencia, se proliferou.  


A aparência de geléia transparente desse animal se deve ao fato de 95% do seu organismo serem compostos por água, o que justifica o nome de" água-viva".
 
Fonte: Revista Conhecimento Prático Geografia, Editora Escala Educacional, São Paulo (abril de 2010)

 

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