Catarinense percorre o Litoral Norte a bordo de um caiaque Imprimir E-mail
Esporte
Qui, 17 de Janeiro de 2013 12:19

Catarinense percorre o Litoral Norte a bordo de um caiaque.Aventura, que começou em Itapoá, pretende chegar a Tijucas nos próximo dias

Uma bermuda e uma camiseta. A bagagem do aventureiro Werner Hemmig, 61 anos, resume-se a duas peças de roupa e um recipiente plástico onde carrega um GPS, um cortador de unhas e outros utensílios igualmente pequenos. O minimalismo tem explicação: os objetos são levados amarrados ao casco do caiaque em que ele percorre o Litoral Norte catarinense desde dezembro do ano passado.

A aventura solitária, que começou em Itapoá, deve terminar nos próximos dias, quando ele chegará a Tijucas. De lá, ainda não sabe se partirá rumo a uma nova expedição ou ficará descansando por uns dias. Esta é a primeira vez que Hemmig parte para uma jornada de caiaque, um desafio à parte. Desde os 16 anos, ele faz viagens de bicicleta e já conheceu 10 países pedalando.

- Eu não tinha parâmetros de outra aventura de caiaque. Não conheço ninguém que tenha feito - explica. Munido de remo e da pouca bagagem, o riossulense partiu de Itapoá no dia 25 de dezembro e, nessa terça-feira (15), chegou a Balneário Camboriú, de onde sairá em direção a Porto Belo.

Também no ano passado, Hemmig ganhou o caiaque de um amigo, empresário em Porto Belo. Sua única travessia marítima até então não tinha sido bem sucedida, ele sequer gosta de falar sobre isso, pois não conseguiu cumprir o trajeto proposto a nado, mas resolveu se aventurar pelo mar novamente. A embarcação é antiga, deve ter uns 30 anos, e não há espaço para nada dentro dela além das pernas de Hemmig. Por isso, ele não leva calçados ou qualquer mantimento.

Também por isso, o percurso entre uma cidade e outra do Litoral Norte foi feito com pausas. Em cada cidade que para, Werner se hospeda em um hotel. Em São Francisco do Sul, por exemplo, permaneceu por 10 dias.
- O tempo não estava bom e os pescadores me orientaram para não sair. Tinha muito vento - explica. Hemmig chegou na terça-feira a Itajaí e dormiu em um hotel na Avenida Osvaldo Reis. Ele partiu da praia de Cabeçudas com destino a Balneário Camboriú. Quando chegar a Tijucas, terá percorrido mais de 200 quilômetros em menos de dois meses.


Vento é o maior empecilho

A maior dificuldade encontrada pelo aventureiro, que não se considera um esportista, é justamente o vento. Além de dificultar a navegação em dias de vento forte, o caiaque conduzido por Hemmig não tem saia, o que faz com que qualquer marola faça entrar água na embarcação.

- Às vezes também tenho que parar para tirar a água que entra. A brincadeira toda, na verdade, é ter um equipamento frágil e tentar fazer alguma coisa - explica.

Outro obstáculo é a travessia entre costão, que exige muito mais atenção, especialmente quando há vento, além das ondas que podem levar o remador para alto mar.

- Eu fico sempre perto da costa, até porque consultei a Capitania dos Portos em São Francisco do Sul e eles não permitem que se afaste muito.


Viagens de bike

De bicicleta, o aventureiro já percorreu seis países da Europa e outros quatro na América Latina. Solteiro, Werner se diz desgarrado da família. Por isso, não se importa em passar, até mesmo, datas comemorativas como Natal e Ano-novo na estrada.

Algumas das viagens de bicicleta, ele chegou a pensar em fazer acompanhado. Colocou anúncios em revistas, mas ninguém se interessou. Assim, o aventureiro solitário se satisfaz fazendo amigos por onde passa.

- No Chile, por exemplo, dá até pena de ir embora quando vou - conta Hemmig, que fará uma nova travessia sobre duas rodas em junho, saindo de Lima, no Peru, e indo até Santiago, no Chile.

Apesar de a bicicleta lhe dar a comodidade de poder levar mais bagagens, o aposentado não descarta uma nova aventura de caiaque, ainda este ano.


De Marjorie Basso, do site “O SOL DIÁRIO”, com adaptação do Diário de Itapoá. Com fotos do próprio aventureiro Werner Hemmig e de Marcos Porto, da Agência RBS.



 

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