Sargento Ferreira, Comandante do Corpo de Bombeiros de Itapoá Imprimir E-mail
Entrevistas
Seg, 22 de Junho de 2009 11:18

João José Ferreira Filho, 45 anos, é Bombeiro Militar há 25 anos e, atualmente, ocupa o cargo de terceiro sargento, sendo comandante do Corpo de Bombeiros de Itapoá. Ele mora em Joinville, de onde viaja para o nosso Município de segunda a sexta, trabalhando por aqui das 13:00 às 19:00 horas. Começou a trabalhar no Corpo de Bombeiros de Itapoá em 2006 quando ainda era Cabo e foi designado para cá. Quando chegou, havia outros comandantes, mas eles foram sendo transferidos e o Sargento Ferreira (como é conhecido) acabou assumindo o comando já entre 2006 e 2007. Em seguida, foi também transferido. No início deste ano (2009), retornou para assumir novamente o comando do Corpo de Bombeiros de nossa cidade e a previsão é de que trabalhe por aqui durante dois anos, ou seja, até o final de 2010. Sargento Ferreira concedeu a seguinte entrevista ao DI:

O Corpo de Bombeiros de Itapoá conta com quantos servidores?
Estamos com 12 bombeiros. Três são chefes de socorro e os demais socorristas. Existe, ainda, o motorista, mas como o grupo é pequeno, todos acabam sendo socorristas. As funções de cada um, também, acaba dependendo muito do tipo de ocorrência. Todos trabalham em escala de 24 por 48 horas.

Como funciona o Projeto Bombeiro Mirim?
O Projeto Bombeiro Mirim é um trabalho nosso com as crianças. Esse projeto não modifica a personalidade da criança em si. Apenas, mostramos a ela os riscos que ela tem ao seu redor, que ela enfrenta no seu dia-a-dia, fazendo com que ela esteja prevenida destes riscos, tais como em relação a botijões de gás, instalações elétricas, os perigos do mar, enfim, riscos que a criança enfrenta em seu cotidiano. Usamos de muita disciplina, pois a criança precisa, também, saber que temos horas para tudo, então a metodologia que aplicamos no Projeto Bombeiro Mirim é bastante regrada. É importante a criança se conscientizar de que se ela não possui essa disciplina dentro de si, acaba não fazendo nada importante e é por isso que exigimos bastante delas nesse sentido. Às vezes, demora um pouco para as crianças se habituarem, pois elas sentem bastante diferença entre o comportamento que exigimos aqui e aquele que ela, muitas vezes, está acostumada a ter na escola ou em casa. Aqui, ela precisa pedir permissão para tudo. Se for entrar na sala, precisa pedir permissão, se vai sair, a mesma coisa. Na escola isso não é exigido com tanta frequência. Aqui, a disciplina é bastante rígida, pois a gente tenta mostrar para as crianças o quão é importante se ter disciplina na vida. E isso, as crianças têm aprendido no projeto. Sem contar, quando essas mesmas crianças levam o que aprenderam aqui aos seus familiares. Isso é gratificante, pois percebemos que educando as crianças, estamos indo muito além, pois essas informações estão conscientizando um número muito grande de pessoas. Dessa forma, sabemos que estamos diminuindo o número de ocorrências e isso é muito importante. Por incrível que pareça, se compararmos com 2006, quando estive trabalhando aqui em Itapoá, em minha outra passagem, o número de incêndios em residências era muito maior do que o que temos hoje. Tínhamos um número de ocorrências totalmente fora do comum. Com o tempo as coisas foram mudando. A gente sabe que tudo o que se fizer dentro das medidas de prevenção, diminui-se muito as chances de qualquer acidente. Acredito que é isso que está havendo com Itapoá. Para esse projeto, contamos com duas turmas que se reúnem todas as quartas-feiras, uma pela manha e outra no período da tarde. As inscrições para fazer parte de uma dessas turmas são feitas anualmente, geralmente no final de fevereiro. O projeto começa a se desenvolver em março e vai até o final do ano. Para entrar no Bombeiro Mirim a criança precisa ter excelente frequência e boas notas na escola, pois o projeto está diretamente relacionado com a escola. No projeto, proferimos palestras sobre os mais diferentes temas, desde prevenção de acidentes domésticos até a prevenção ao uso de drogas e ao consumo de bebidas alcoólicas. Aqui, deixamos bem claro às crianças que o futuro delas é consequência do presente.

Qual a ocorrência que vocês atendem com mais frequência atualmente?
Hoje, não é um problema localizado, mas no Brasil inteiro, estamos atendendo muitos acidentes com motociclistas.

Como está o andamento do curso para bombeiro comunitário?
No momento, está parado. Isso, porque o Major Biluk quer fazer o curso de bombeiro comunitário padronizado. Ou seja, o curso aqui de Itapoá será o mesmo ministrado em todo o estado de Santa Catarina. Então, demora para sair uma grade curricular que se enquadre perfeitamente a todas as regiões do Estado e é por isso que no momento, o curso está parado. Apesar das ocorrências mais comuns se diversificarem de acordo com o local, de acordo com a região, está se trabalhando para fazer esse curso totalmente padronizado. Estamos esperando darem o “ok” para nós, mas por enquanto não temos nenhuma previsão de início, porém já há muita procura. O importante de um bom planejamento desse curso é que quem mais ganhará com isso será a própria comunidade. Em breve, estaremos anunciando o curso na imprensa.

Existe previsão para formação de novas turmas de guarda-vidas?
Temos previsão, sim. Ali por setembro ou outubro.

Com relação aos postos de salvamento aquático, alguma previsão de melhoria ou ampliação?
Temos a previsão de mais três postos que estão para serem feitos com auxílio da iniciativa privada e existem, ainda, outros dez postos que estão previstos no Plano Plurianual da Prefeitura Municipal. Acredito que dez não vão sair, mas devem sair mais alguns por intermédio da Prefeitura. Vamos tentar melhorar a estrutura nos locais onde só contamos com postos de madeira, pois esses estão em condições bem precárias, sem banheiros, sem água, sem chuveiro o que é bem complicado para uma função como a de guarda-vidas. A partir da metade do ano, agora, pelo que conversamos com o Prefeito Ervino, a reforma de nossos postos de guarda-vidas é prioridade.

Falando em Prefeitura, existe algum apoio dela para com o Corpo de Bombeiros de Itapoá?
Ela apóia bastante, sim. Recentemente, não tem ocorrido muita coisa, mas isso porque o Prefeito acabou de assumir e eu, mesmo, só retornei no início desse ano agora, mas ele tem mostrado boa vontade para conosco. Tem mostrado que dará o suporte necessário para que façamos um bom trabalho. Mas não só a Prefeitura tem nos apoiado. A própria iniciativa privada local tem nos dado um apoio muito grande. A gente percebe que todo mundo tenta contribuir com os bombeiros, principalmente, para que a orla marítima de Itapoá seja bem segura.

Alguma consideração importante que o senhor queira fazer?
Hoje, aqui em Itapoá, eu considero essencial para desempenharmos bem o nosso trabalho que, além do nosso material de trabalho, tenhamos bons postos de guarda-vidas. A nossa intenção é poder contar, em breve, com postos guarda-vidas bem equipados a cada 1.500 metros e postos de 500 em 500 metros, possibilitando que todos os guarda-vidas de Itapoá possam usufruir da estrutura dos postos mais equipados e que não fiquemos mais na dependência dos estabelecimentos comerciais ao redor. Toda a extensão da nossa praia é ocupada e precisa ser protegida e como a orla é bastante extensa, 32 quilômetros, temos algumas dificuldades nesse sentido, mas estamos trabalhando para que tanto o turista quanto a população local possa usufruir da melhor maneira possível dos seus momentos de lazer em Itapoá.

Alguma mensagem que o senhor, em nome do Corpo de Bombeiros, queira deixar para a população e para os turistas que frequentam o Município?
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina está sempre pronto, à disposição, para atender a quem mora ou frequenta Itapoá. Estamos 24 horas à disposição, interruptamente, todos os dias. Se necessitarem da gente, liguem 193. Caso dê algum problema pelo 193, liguem 190, porque a polícia também passa as ocorrências para a gente, se necessário.

 

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