Entrevista de abril com o prefeito Ervino Sperandio (PSDB) Imprimir E-mail
Entrevistas
Qua, 15 de Abril de 2009 11:15

O Diário de Itapoá leva ao Prefeito Municipal Ervino Sperandio (PSDB), mensalmente, questões levantadas pelos nossos internautas.

Dando continuidade ao canal com o prefeito, o DI publica a entrevista do mês de abril.

1. Muitos internautas agradeceram e parabenizaram a sua atitude ao apoiar o encontro dos motorhomes aqui em Itapoá. Como o senhor avalia essa parceria com o Grupo dos Estradeiros do Paraná e os resultados desse encontro em nosso Município?
Não só apoiei, como fui em busca de trazer o Grupo para cá, porque eu também faço parte do Grupo dos Estradeiros. Eu sou, também, filiado do Grupo dos Estradeiros. Sou motorhomeiro desde 1976, quando comprei meu primeiro ônibus velho montei uma espécie de motorhome no fundo do meu quintal. Eu sempre apreciei muito este esporte. Esforcei-me para trazer à Itapoá este encontro, que era para ser um mini-encontro, mas acabou totalizando quase 60 unidades, pensando já em um grande encontro no futuro. O evento propiciou que muitos homeiros que ainda não conheciam Itapoá, pudessem conhecer e como eles viajam muito, com certeza estarão divulgando bastante as nossas praias. Eu tenho certeza de que obtivemos um bom resultado com a realização do encontro, pois tudo o que é gasto pelos participantes é gasto aqui no Município. Na verdade, esse é um comprometimento do Grupo: fazer suas compras nos estabelecimentos comerciais do Município. Sendo assim, o encontro traz um interessante movimento ao comércio e viabiliza uma maior divulgação de Itapoá, uma vez que eles viajam muito, levando para fora as boas recordações das cidades por onde passaram.

2. Sabe-se que o Município conta com novos veículos na frota do transporte coletivo municipal e, com isso, também, novos horários foram disponibilizados, como o senhor avalia essa questão?
Nós, em conversa com os proprietários da empresa que detém a concessão do transporte coletivo no Município de Itapoá, solicitamos a eles para que providenciassem uma melhoria no transporte coletivo, colocando carros novos. Eles reclamaram que, exceto nos horários de transporte dos servidores municipais e dos estudantes, o movimento de passageiros nos ônibus é muito pequeno e isso não estava trazendo um resultado positivo. Então, nós sugerimos que eles adquirissem veículos com um menor custo operacional, no caso os microônibus e fomos atendidos. Eles trouxeram quatro unidades de microônibus “zero quilômetro”, que já estão circulando em mais horários, pois o valor operacional menor possibilita isso, trazendo um benefício à população itapoaense. Solicitamos, também, a aquisição de veículos que atraíssem os turistas a circularem pelo transporte coletivo também. Trouxeram uma jardineira que, acredito, em breve, estar circulando da Barra do Saí à Figueira do Pontal e no caminho inverso, com um acordo que efetuamos: se o turista embarcar, por exemplo, na Barra do Saí e não desembarcar, retornando no mesmo veículo, pagará apenas uma passagem. Isto fará com que os turistas que se encontrarem na Barra do Saí, no Balneário Rainha ou em Itapema possam conhecer nossos outros potenciais turísticos que ficam na região da Figueira do Pontal, assim como aqueles que se encontrarem na Figueira poderão conhecer toda a extensão da nossa praia. As crianças, certamente, vão solicitar a seus pais este tipo de passeio e isso fará com que o turista venha a conhecer todo o potencial turístico do Município.

3. Uma questão muito abordada por nossos internautas continua sendo com relação aos cães abandonados. Tratamos desse assunto na última entrevista, mas nossos leitores estão pedindo mais detalhes sobre as atitudes que estão sendo ou serão tomadas.
Nós estamos fazendo um convênio com alguns profissionais da área de veterinária, em que estamos oferecendo as doses de vacinas necessárias para que se evite a reprodução desses cães e os profissionais veterinários entrarão com a mão de obra. Esta foi a única solução que encontramos, porque um centro de zoonose só pode ser instituído em cidades com mais de 50 mil habitantes, nas quais não nos enquadramos e não existe nenhum centro destes nas cidades da nossa região, nem mesmo, em Joinville, cidade mais populosa do Estado. Então, no momento, este convênio que estamos fazendo é a única forma que encontramos de amenizar este problema.

4. Munícipes preocupados com os terrenos baldios e com casas de veranistas que, por ficarem meses sem movimentação, acumulam muitos entulhos e muita água parada, questionaram quais as atitudes que a Prefeitura está tomando quanto ao controle do mosquito da dengue.
Com relação ao mosquito da dengue, existe um órgão do Estado que passa com frequência examinando a água acumulada em armadilhas próprias para esse fim em nosso Município. Felizmente não temos constatado, em Itapoá, a existência do mosquito. Quanto aos terrenos baldios e casas de veranistas que ficam abandonadas fora de temporada, não temos o que fazer, a não ser cuidar para que não se armazenem entulhos a céu aberto, que possam acumular água, tais como pneus, vidros, latas e qualquer outro recipiente que acumule água dentro.

5. Segundo nossos leitores, ainda, esses imóveis “abandonados” provocam um desestímulo por parte de nossos visitantes para com o Município. Existe algum programa ou projeto voltado para estimular nossos turistas, nesse sentido de deixar a cidade ainda mais bonita e atrativa?
Não fomos nós que criamos 60 mil lotes no Município de Itapoá, assim como não foram os Prefeitos que me antecederam. Na verdade, isso é uma herança de quando Itapoá foi emancipada de Garuva. Não existe nenhuma lei que obrigue o proprietário a construir, mas existe uma lei que fala de manter os lotes limpos. Mas não tem condições, pois você roça um lote hoje e daqui a trinta dias o mato está do mesmo tamanho. Ficar roçando a cada 30 ou 40 dias, não há condições. Para a Prefeitura fazer este trabalho e, posteriormente, cobrar do proprietário, é inviável, porque se você coloca alguém para roçar um lote, assim que terminado o serviço, esse alguém quer receber. Aí, a Prefeitura vai debitar no IPTU (Imposto Territorial e Predial Urbano) e o proprietário vai reclamar na justiça, deixando de pagar o IPTU, inclusive e ele virá a pagar somente daqui a alguns anos, na Justiça. Hoje, a situação financeira do Município já é difícil, então imaginem se deixarmos de receber o IPTU dos poucos que ainda estão pagando. Em nosso plano de governo, citamos bastantes obras de urbanização, principalmente no que diz respeito a praças, calçadas e beira-mar, mas dependemos muito da solução para essa crise financeira que o mundo inteiro está passando. Tivemos uma reunião em Brasília, do Governo Federal junto à Confederação Nacional dos Municípios e as expectativas não são nada agradáveis, na verdade. Dizem que o pior está por vir nos meses de julho, agosto e setembro. Se agora já estão pedindo para apertar os cintos, nesses meses citados será muito pior. Lamentavelmente, o Governo Federal acaba dando isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) a veículos populares e fazendo a redução deste imposto a demais veículos. Não bastasse isso, também fará redução de IPI para materiais de construção. Para se ter uma noção, em um saco de cimento, a diferença desta redução não chega a R$ 0,30. É tão pouco que, ao repassar essa diferença ao consumidor, pouco vai mudar em quantidade consumida. É um valor irrisório. A cada dez sacos de cimento, são R$ 3,00 de diferença. Com o desconto ou sem ele, o consumidor não deixará de comprar. Porém, para o Município, o imposto sobre todos os sacos de cimento dão uma grande diferença. A situação é complicada, porque o Governo Federal só corta a receita dos tributos municipais e não federais. Houve uma proposta para que o Governo Federal nos repassasse a mesma quantia de FPM (Fundo de Participação do Município) que foi repassada no ano passado, mas não houve aceitação. Apenas, prometeram-nos que farão o repasse de um incremento ao FPM dentro dos próximos dias e estamos aguardando para ver do que se trata.

6. Muito se tem discutido, em nosso Município, sobre a questão do tráfico e uso de entorpecentes. Em recentes entrevistas do DI, os internautas conheceram a forma que o Poder Judiciário tem tratado do assunto. A população quer saber quanto ao Poder Executivo, existe alguma ação nesse sentido? Qual?
Nós estamos dando todo o apoio ao PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) para que ele seja executado junto às nossas escolas. Para que as crianças, adolescentes e, enfim, todos os jovens tomem consciência de que o uso da droga só causa mal. Esta questão do tráfico de entorpecentes é de responsabilidade do Poder Judiciário, o que podemos e vamos fazer é esse trabalho preventivo de esclarecer as nossas crianças e adolescentes de que o uso desse tipo de substância não traz benefício algum, muito pelo contrário.

7. Em relação às doenças sexualmente transmissíveis e gravidez na adolescência, existe alguma ação da Prefeitura? Algum programa ou projeto?
Existe sim. Existe por parte da Secretaria de Saúde, da Secretaria de Educação e da Secretaria de Assistência Social programas de conscientização. Estamos vendo, no caso, alguns cursos e palestras para realizarmos nas escolas, principalmente no que se trata de gravidez na adolescência. Vamos trabalhar a idéia da prevenção destes problemas, os quais podem e devem ser evitados.

8. Um problema evidente e que muito preocupa todos aqueles que têm algum envolvimento com Itapoá é a questão da erosão em nossa orla marítima. Qual a visão da Prefeitura a respeito disso? Que atitudes estão sendo tomadas?
Estamos estudando as condições de realizarmos o Projeto Orla, para ver se conseguimos, junto aos órgãos ambientais, o licenciamento para fazermos a contensão. É claro que faremos isso em convênio, em conjunto com os proprietários dos terrenos de frente ao mar, pois a Prefeitura sozinha jamais teria condições de fazer isso. Então, primeiramente, estamos buscando meios de conseguir o licenciamento ambiental para tal.

9. Um número muito expressivo de esportistas e apreciadores de esportes questiona que se dá pouco valor ao surfe em Itapoá, principalmente quando comparado ao futebol, sendo que o surfe tem dado muita visibilidade ao Município em nível nacional. Quais os planos para a área de esportes? Existe algum programa ou projeto voltado à prática de surfe, especificamente?
É complicado se falar disso em um momento de crise financeira, como o que estamos vivendo. Eu não posso deixar de fazer os devidos investimentos na área de saúde, por exemplo, para investir em esportes. Sabemos da importância da área de esportes, tanto que em nossa outra gestão (2001-2004) investimos bastante nesta área, mas hoje nós temos grandes dificuldades financeiras. Assim que surgir a oportunidade, estaremos olhando com atenção à área de esportes, mas no momento não posso assumir um compromisso e deixar de pagá-lo na sequência.

10. Gostaria de deixar alguma mensagem aos internautas? Qual?
Peço para que tenham paciência. Nós assumimos a Prefeitura há 90 dias e pegamos períodos de muitas chuvas dentro desses dias, dificultando bastante os trabalhos de nossa Secretaria de Obras. Além disso, pegamos o equipamento sucateado. Para se ter uma idéia, até poucos dias atrás, de cinco caminhões (quatro caçambas e um caminhão pipa), tínhamos apenas um em condições de trabalho. Tivemos, também, a questão da patrola, que só tem uma para atender a todo o Município e que pegamos com os cubos vazando e tentamos nos arrastar com ela até agora, mas não teve mais condições e tivemos que pará-la para fazer os cubos. Isso nos gerará uma despesa de R$ 10 mil a R$ 12 mil, com certeza. Pedimos muita paciência, pois só temos uma patrola, uma retro-escavadeira 1995 que vive quebrando, também, uma pá carregadeira, uma escavadeira e dois ou três caminhões trabalhando. Acabamos de assumir a Prefeitura e vamos fazer tudo o que for possível para atender a todas as necessidades da população itapoanse.

 

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