Vereador Daniel Silvano Weber (PMDB) Imprimir E-mail
Entrevistas
Dom, 12 de Abril de 2009 11:14

Nascido em Porto União/SC no dia 10 de maio de 1974, Daniel Silvano Weber veio morar em Itapoá em 1989, aos 14 anos, quando seus pais mudaram-se para o nosso Município. Na época, foi trabalhar em uma loja de materiais de construção de propriedade de seu primo Carlito Weber, primo este que foi Vice-Prefeito de Garuva e candidato à Prefeito de Itapoá por três vezes. Motivado pelo seu primo e a convite de amigos, o, então, comerciante e eletricista, Daniel Silvano Weber entrou na vida política, candidatando-se a Vereador em 1996 e logrou êxito, sendo o segundo vereador mais votado de Itapoá. Na eleição municipal seguinte, em 2000, houve uma coligação entre o PP (Partido Progressista) e o extinto PFL (Partido da Frente Liberal), do qual o Vereador Daniel fazia parte na época e, a partir dessa coligação, foi convidado a ser candidato à Vice-Prefeito pela coligação e perdeu a eleição por uma pequena margem de votos. Assim, ficou quatro anos sem mandato e, na eleição seguinte, em 2004, foi novamente candidato a vereador, sendo o mais votado na ocasião. Em 2008 foi candidato à reeleição e, mais uma vez, obteve êxito. Confira a entrevista que o Vereador, atual Vice-Presidente da Câmara Municipal, concedeu-nos:


De que forma o senhor avalia o voto de confiança dos itapoaenses ao o elegerem ano passado? Como pretende retribuir essa confiança?
Eu acho que a política em si, você não pode tê-la como carreira, mas sim como um instrumento para fazer o bem à comunidade. Dessa forma, a gente procura fazer o que tem que ser feito. Sempre visando o que é melhor ao município, sem levantar bandeira partidária. Pensando em Itapoá em primeiro lugar. É dessa forma que venho agindo no decorrer dos meus mandatos. Acredito que isso levou a comunidade a me dar esse voto de confiança, juntamente com a experiência que ganhei no Legislativo. Sei que posso fazer ainda mais do que já fiz em comparação às outras legislaturas.

Qual a sua prioridade de trabalho em relação a projetos para o município? Algum projeto que o senhor considere imprescindível?
O Município de Itapoá, hoje, passa por uma transição. Está sendo instalado o Terminal Portuário, e cabe a nós, vereadores, em conjunto com o Poder Executivo, darmos condições para que novas empresas venham se instalar em Itapoá. O principal ponto que devemos focar é na questão de geração de emprego. Temos, hoje, em Itapoá, uma massa grande de jovens que estão preparados, inclusive, com cursos universitários e tudo mais. Diariamente recebemos currículos, de gente capacitada, mas que não possui oportunidade de emprego aqui no Município. Então, temos que criar agora, com a instalação do Porto, algumas leis de incentivos fiscais para que novas empresas venham a se instalar em Itapoá e para que essas empresas gerem novos empregos e que nossos jovens não precisem deixar a casa dos pais para buscar emprego fora do Município. Esse é o principal ponto: geração de emprego. Uma outra questão de suma importância é em relação ao turismo. Temos aqui uma orla de aproximadamente 30 km de praia que precisa ser urbanizada. É necessário que seja feito um calçadão, construir alguns quiosques e banheiros públicos para que o turista venha à Itapoá, não só pela beleza natural de nosso município, mas pela estrutura que temos para oferecer a ele.

O senhor pretende fazer alguma sugestão ao Plano Plurianual – PPA, nesse sentido?
Nós já temos, inclusive, uma emenda que foi feita em 2005 e está vigente até 2009, referente à questão da orla. Infelizmente, não houve mecanismos para que fosse executado na gestão anterior, mas vamos continuar com essa meta, dentro do PPA, para que, dentro do possível, o Executivo possa executá-la. Sempre deixando bem claro que o vereador é quem elabora projetos, é quem faz as leis. Quem executa é o Poder Executivo. Embora eu não seja do mesmo partido do Prefeito, pretendo ser parceiro ao máximo para trabalharmos em prol do Município.

Como o senhor avalia o trabalho do Poder Executivo desenvolvido até o momento nessa gestão?
É muito cedo para qualquer avaliação. Terminou recentemente o terceiro mês de mandato e a gente sabe das dificuldades enfrentadas pelo nosso Município. Tenho sugerido, a partir da Câmara dos Vereadores, providências quanto ao maquinário do Município. Sabemos do déficit que existe nesse sentido em Itapoá. Temos reivindicado algumas melhorais para os bairros de nossa cidade, coisas como manutenção das ruas, abertura de valas, patrolamento das estradas e a desculpa tem sido sempre a mesma: que o município está sem condições, porque não tem maquinário suficiente. Hoje, nós temos uma capacidade de endividamento boa no município, algo em torno de R$ 2 milhões e, no meu ponto de vista, chegou a hora de o Município utilizar desse poder de endividamento e adquirir esse maquinário para que possamos dar o mínimo de condições das pessoas transitarem tranquilas e chegar bem em suas casas. Fomos muito castigados pelas fortes chuvas no final do ano passado e, até então, não conseguimos plena recuperação dessa malha viária. Temos que procurar comprar o maquinário e, com máxima urgência, fazer a manutenção dessas ruas. Outra situação que tenho debatido, falado é a questão da dragagem do Rio Saí Mirim. Temos acompanhado que em qualquer enxurrada, nossas ruas ficam alagadas e nós sabemos que o principal problema disso é a questão do assoreamento do rio. Considerando o momento que estamos vivendo com o estado de calamidade pública que, foi prorrogado por mais 120 dias, temos condições de buscar, junto aos órgãos ambientais do Estado, a liberação para que o Município faça essa dragagem e, de uma vez por todas, elimine esse problema de enchentes em Itapoá.

E o trabalho do Poder Legislativo, até o momento, como o senhor avalia?
Passou-se pouco tempo para podermos avaliar. Precisamos esperar, no mínimo, um ano, pois estamos trabalhando, ainda, com o orçamento deixado pela gestão anterior. O orçamento para o ano que vem será aprovado esse ano. É muito cedo para avaliar, mas espero que façamos um excelente trabalho. Todos nós (vereadores) somos parceiros em prol de Itapoá.

O que o senhor espera da atual gestão do Poder Legislativo do município?
Dentro do Legislativo, temos uma meta que é unânime entre os Vereadores. Trata-se da construção de nossa sede própria. Hoje, temos uma sede alugada e despendemos uma quantia considerável com isso. Acredito que chegou o momento de adquirirmos uma sede própria. Estamos empenhados, todos os vereadores, para que isso aconteça. Procuraremos, nós vereadores, buscar o que for melhor para a nossa cidade. Hoje, o PMDB, partido do qual faço parte, conta com quatro vereadores e, dentro da nossa bancada, temos conversado frequentemente de que tudo o que for bom para Itapoá, estaremos buscando. Estaremos trabalhando juntos e tentando resolver os problemas do município. O papel do Poder Legislativo é esse. Como falei, anteriormente, na entrevista, não temos o poder de executar, mas temos o dever de buscar soluções e apresentá-las ao executivo como sugestões. É assim que tenho atuado como vereador e é assim que continuarei por mais esses quatro anos.

Em relação à audiência pública sobre a Lei nº. 140/2007 que regulamenta o comércio temporário no município, existem opiniões divergentes sobre o assunto. Qual a sua posição sobre o comércio temporário e as feiras de verão (Expoverão e Itapemar)?
Esse problema era muito mais grave até 2007, quando elaboramos uma lei, na Câmara Municipal, em conjunto com o Poder Executivo na época, com o comércio local e, também, com os ambulantes. Foi um Projeto de Lei amplamente discutido e, dele, surgiu essa Lei Nº. 140/2007 que regulamenta o comércio temporário em Itapoá. Eu senti, inclusive, na última audiência pública a respeito, que a Lei em si, está boa. Ninguém questionou a Lei em si. O que falta é fiscalização. Nós sentimos que o corpo de fiscalização em nosso município, hoje, é muito pequeno, não dando conta de fiscalizar todos os pontos necessários, até por causa da grande extensão que temos de orla. Eu vejo que o principal problema que temos hoje é a questão da fiscalização. Se nós fiscalizarmos e aplicarmos a Lei como ela está, eu acho que nós devemos reduzir, e muito, a questão do “paraquedismo” em Itapoá, porque não é justo o comércio do nosso município ficar o ano inteiro, em ditado popular, “comendo carne de pescoço” e quando chega a hora de comer o “filé mignon”, naquele período curto de temporada, de dois a três meses, vem um “paraquedista” de fora, aluga um terreno em nosso município, instala uma barraca e leva o nosso “filé” embora, podemos assim dizer. Por questão de justiça com os nossos comerciantes locais, temos que coibir isso e a Lei coibi isso. Temos que deixar bem claro, também, que proibir, nós não podemos, porque a Constituição Federal é bem clara, quando diz que o direito de ir e vir é de todos. O que temos que fazer é criarmos mecanismos para dificultar o pessoal de vir e explorar apenas esse período de dois ou três meses. Para deixar mais claro, existe, inclusive, um artigo na própria Lei que diz que a pessoa para tirar o seu alvará temporário, precisa abrir firma em Itapoá. Então, isso já dificulta bastante. O comércio fixo tem que ter o “Habite-se” para tirar o alvará, então lógico que uma barraca não tem como tirar o “Habite-se”. Isto já dificulta bastante. Se executar a Lei, da forma que ela está aprovada, eu não tenho dúvidas de que irá se coibir bastante à instalação de “aventureiros” em Itapoá.

Recentemente, a Câmara foi sede de uma interessante discussão sobre a erosão em nossa orla marítima, como o senhor avalia essa situação? De que forma o Legislativo pode auxiliar a sanar ou amenizar esse problema?
Nesses 20 anos que eu estou em Itapoá, a gente consegue notar a quantia de faixa de praia que nós perdemos. A nossa orla, em um passado bastante recente, tinha uma faixa bem maior de praia. Infelizmente, hoje vemos com frequência, a maré batendo nos barrancos e os banhistas saindo da beira-mar, sem ter onde ficar. Então, eu vejo da seguinte forma: nós temos a questão da dragagem do Porto de São Francisco, de onde eles estão tirando a areia do canal e despejando-a longe da nossa orla. No Poder Legislativo, estamos acompanhando junto ao IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), a licença prévia que eles concederam para a dragagem, lá tem uma cláusula já, dizendo da possibilidade de tirarem aquela areia e colocarem em nossa orla. Isso já com um trabalho feito pelo Município, pedindo que esse material fosse aproveitado. Então, agora estamos criando uma comissão dentro do Poder Legislativo para acompanhar esse trabalho mais de perto. Para vermos a possibilidade de usarmos esse material em nossa orla. Sabemos que existe um estudo feito pelo Professor Rodolfo José Angulo da Universidade Federal do Paraná que cita que a areia de Itapoá é levada pelas correntes marítimas, em direção ao norte, ou seja para Guaratuba-PR. Com isso, a areia saindo, o nível de água sobe, isso também deve ter uma relação ainda mais estreita com a questão da dragagem. Sempre que tem algum assoreamento lá, o nosso Município acaba sendo prejudicado aqui. Claro que estou falando como leigo no assunto, mas me baseio na pesquisa do Professor Angulo, em que se pode notar isso. Então, essa comissão que está sendo criada aqui na Câmara vai procurar, junto com a Secretaria de Planejamento e a Secretaria de Meio Ambiente do nosso Município, fazer um contato mais aproximado com o Porto de São Francisco do Sul, bem como com a sede do IBAMA em Brasília, inclusive indo até lá pessoalmente para procurarmos saber se aquele material da dragagem não prejudica a área de banho e se podemos utilizá-lo em prol da nossa orla.

Qual a sua opinião em relação à construção e às atividades que o Porto desenvolverá em nosso município?
Atualmente, já vemos benefícios que o Porto trouxe ao nosso Município. Uma reivindicação antiga, desde que me conheço como cidadão itapoaense, desde que eu acompanho a vida política deste Município, vejo a reivindicação do nosso acesso, ligando Itapoá a Santa Catarina e não ao Paraná como temos a ligação hoje. Na forma do acesso que temos hoje, somos obrigados a ir até Guaratuba-PR e depois pegar a estrada de nosso Município, estrada essa construída com recursos do Município. Reivindicamos já há muito tempo, um acesso pela SC-415, que ligue Itapoá a Garuva, pois a instalação do Porto já viabilizou isso, ocasionando um grande avanço, uma grande conquista que o Porto proporcionou. Em contrapartida, demos condições para que o Porto se instale em Itapoá, tendo o calado mais profundo da América do Sul, que trará para cá navios muito grandes, os maiores navios do mercado, com capacidade para o maior número de contêineres, algo em torno de 5.000 contêineres vão ser aportados nesse porto de Itapoá e eu vejo com bons olhos. Hoje mesmo, a gente vê um grande número de trabalhadores braçais, trabalhando nas obras do porto. Temos a preocupação de, acabando essas obras, onde esses trabalhadores vão trabalhar. É aí que temos que trabalhar em conjunto, trazendo algumas empresas para que possam, a partir do momento que se finalizem as obras do Porto, suprir essas obras, para que esses trabalhadores tenham onde trabalhar aqui mesmo no Município ou, então, para que eles prestem serviços ao próprio Porto. Indiretamente, o Porto auxiliará muito nesta questão de geração de empregos. A partir da criação de usinas, postos de combustíveis, terminal de contêineres e vários outros segmentos, porque fica muito mais fácil uma empresa que vai fazer a exportação de sua mercadoria se instalar próxima ao Porto, não tendo despesa com fretes ou com o deslocamento de seus caminhões. O que posso dizer é que, sem sombra de dúvidas, o crescimento econômico da cidade, com a instalação e o início das atividades do Porto, será muito grande. Temos que buscar as empresas e tentar trazê-las à Itapoá para gerar emprego ao nosso Município, mas, sem sombra de dúvidas, só a questão do Porto vir se instalar aqui já trouxe um benefício muito grande que é a questão do acesso ao Município pela SC-415.

Como o senhor avalia o atual momento do nosso município?
Nosso atual momento é crítico. Estamos em um momento de transição, considerando que o Porto está se instalando. Mas quem conheceu Itapoá como eu conheci, quando não tínhamos estradas, não tínhamos água tratada e tínhamos muito poucas ruas com iluminação pública, sabe que muita coisa melhorou. Na época, enfrentávamos problemas sérios com energia elétrica, em que se ameaçava uma trovoada e nós ficávamos sem energia no Município. Quem conheceu Itapoá, como eu conheci há mais de 20 anos, pode dizer, sem sombra de dúvidas, que hoje nos encontramos no paraíso. Não podemos nos acomodar. Temos que buscar soluções aos problemas que surgem. Sabemos que com o desenvolvimento do Município, os problemas vão aparecendo dia-a-dia e é nosso dever, como homem público, buscar as soluções para esses problemas. Mas Itapoá está se desenvolvendo e eu acredito que nesse período que temos de transição, por mais uns dois anos, até o Porto ficar pronto será um período de muita cautela e observação, em que vamos tentar buscar, como já falei, alguns investimentos na questão da geração de empregos. Confesso que fico um pouco assustado e preocupado quando vejo o número de crianças nesses ônibus escolares, que estão estudando em Itapoá e que precisam de uma posição nossa para que amanhã tenham condições de permanecer e trabalhar em Itapoá. Preocupo-me e acho que temos que lutar pelo investimento necessário para a geração de empregos no Município. Mas Itapoá está no caminho certo. Está em um caminho promissor e eu não tenho dúvidas de que será uma grande cidade se nós agirmos com responsabilidade na questão de geração de emprego, na questão de meio ambiente, preservando corretamente a nossa orla e os nossos rios, onde acredito que ainda temos alguns problemas. Também, temos que cuidar da questão de nosso saneamento básico que é muito necessário. Se trabalharmos em cima disso, não tenho dúvidas de que seremos uma grande cidade.

Qual a mensagem que o senhor deixa para a população itapoaense e, até mesmo, para os turistas que frequentam nosso município?
A mensagem que eu deixo é que, considerando-me filho dessa terra, quero o melhor para Itapoá e me coloco à disposição de todos aqueles que queiram sugerir alguma coisa dentro do Poder Legislativo, que tenham alguma idéia. Nós não somos os donos da verdade. Eu sempre digo que a vida é um eterno aprendizado. Estamos, no dia-a-dia, aprendendo com todas as pessoas e queremos nos colocar à disposição, eu e minha estrutura do gabinete aqui na Câmara Municipal, para tudo aquilo que venha ao encontro dos anseios da comunidade, todos que queiram contribuir com suas idéias, que nos procurem para tentarmos colaborar e fazer o melhor a nosso Município.

 

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