Entrevista com o prefeito de Itapoá Ervino Sperandio (PSDB) Imprimir E-mail
Entrevistas
Dom, 08 de Fevereiro de 2009 10:58

A partir dessa entrevista, o Diário de Itapoá estará entrevistando o Prefeito Ervino Sperandio mensalmente, levando até ele as principais questões levantadas pelos nossos internautas. Deixe a sua sugestão de pergunta para o Prefeito nos comentários da matéria.

 

Aos 58 anos de idade, sendo que 18 desses como cidadão itapoaense, o Prefeito Ervino Sperandio (PSDB) é o entrevistado dessa semana, no Diário de Itapoá. Natural de Rio do Sul/SC, Ervino deixou alguns negócios em Cascavel/PR e um hotel que administrava no Pantanal para tentar a vida em Itapoá. A empreitada deu certo e hoje o corretor de imóveis e seguros que assume a prefeitura pela segunda vez, considera-se bem sucedido. O que começou com a idéia de se abrir uma pousada na praia, acabou se tornando um projeto de vida e, entre um compromisso e outro, o atual Prefeito nos concedeu a entrevista que você vai acompanhar a partir de agora:

Como se iniciou o seu envolvimento com a carreira política?
Na verdade, nunca fui da área política e posso dizer que não nasci para ser politiqueiro. O pessoal costuma dizer que não sou político, mas político, a meu ver, são todos os eleitores que desde os seus 16 anos de idade já podem retirar o seu título de eleitor e exercer o seu direito político. Desde então, já somos políticos. Eu não gosto de politicagem. O que me levou a entrar na política é que desde que cheguei a Itapoá e comprei o meu primeiro imóvel para estabelecer a minha primeira pousada, a cada dois anos vinham promessas de que seria feito o asfalto no acesso ao município e de que seria construído o hospital, mas o tempo passava e nada dessas promessas serem cumpridas. A grande prioridade municipal era o asfalto na rodovia de acesso e essa prioridade nunca se concretizava. Nos vimos sem alternativas. Ou mudávamos Itapoá ou nos mudávamos de Itapoá. Graças a Deus, posso dizer que nós mudamos Itapoá.

De que forma o senhor avalia o voto de confiança dos itapoaenses ao o elegerem ano passado?
Depois de quatro anos, ficaram com saudades (risos).

Como pretende retribuir essa confiança?
Levando o trabalho a sério, como já fizemos em nossa outra gestão (2001-2004) e cumprindo com aquilo que nos comprometemos a fazer agora, nessa nova gestão.

Depois de completados um mês de trabalho, qual a sua avaliação sobre as contas públicas municipais?
Os balancetes da administração anterior estão bastante atrasados. Não quero, aqui, dizer que a administração anterior tenha culpa nisso. Mas não conseguimos fechar os balancetes do ano 2008, ainda. Por isso, não podemos ter um parâmetro com relação às contas públicas do município. Temos uma idéia, mas não um parâmetro exato.

Qual a sua prioridade de trabalho em relação a projetos para o município?
Além de saúde e educação, nossa gestão se voltará mais para a área de urbanização. Pretendemos fazer calçadas, praças, iluminação, enfim toda essa parte de urbanização para dar à cidade de Itapoá a verdadeira imagem de cidade.

Em relação à área de saúde, existe algum projeto?
Nessa área, existe uma reivindicação muito forte para a construção de um hospital no município de Itapoá. É meramente impossível. Financeiramente, o município não tem condições de sustentar um hospital. Não temos, nem mesmo, a condição de se sustentar uma maternidade, pois para uma maternidade existe a necessidade de se ter um corpo médico especializado de, no mínimo, dois ginecologistas, dois anestesistas e dois pediatras. Ou seja, os pré-requisitos para conseguirmos a licença para tal é tão grande que as condições financeiras do município não suportam. No caso, vamos trabalhar no intuito de manter médicos em número suficiente para o bom atendimento da área de saúde no município. Inclusive, está muito difícil contratar médicos para trabalhar em Itapoá, pelo fato de estarmos longe dos grandes centros, mas tudo faremos para que tenhamos um bom atendimento na área de saúde, como fizemos de 2001 a 2004.

Algum projeto voltado à área de educação?
Pretendemos ampliar as escolas e creches para atender melhor às necessidades do município. Nós pretendemos construir uma creche na Barra do Saí, uma no Pontal e outra em Itapema do Norte. A creche em Itapema do Norte, inclusive, pretendemos construí-la em um ponto estratégico para que ela venha a beneficiar a região de São José, bem como a região do Samambaial, porque as mães que moram nessas regiões, em sua maioria, quase totalidade, trabalham em Itapema do Norte. Então, vamos inserir uma creche em um ponto estratégico para que as mães tenham facilidade em deixar os seus filhos na ida ao trabalho, bem como buscá-los na volta.

Existe algum projeto de investimento em cultura?
Estamos apenas há pouco mais de 30 dias a frente do município, então nossa grande preocupação agora é a temporada, mas nós temos, sim, inclusive no nosso plano de governo, previsão para obras na área de cultura.

Está previsto algum projeto que beneficiará diretamente os pescadores?
Assumimos a responsabilidade de construir um mercadinho para os pescadores da Barra do Saí, outro para os do Pontal e, ainda, reestruturar integralmente o mercadinho que já existe em Itapema do Norte.

Muito se tem reclamado acerca do valor do passe de ônibus, existe alguma política no sentido de tornar o transporte coletivo mais acessível?
Lamentavelmente, o que não há em Itapoá são passageiros, ou seja, demanda suficiente para fazer uso dos ônibus. Esses dias, ainda, um munícipe argumentava comigo, querendo fazer uma comparação com as tarifas praticadas em Curitiba/PR. Eu garanti para ele que o dia em que os nossos ônibus transportem, em média, 50% do que transportam os ônibus de Curitiba, eu conseguiria que a empresa daqui cobrasse apenas 50% do valor que é cobrado lá. A demanda de passageiros aqui é muito pequena para que uma empresa consiga resistir com tarifas menores. O que pode ser feito e que já é uma reivindicação antiga dos prefeitos no Brasil, é contar com que o Governo Federal venha a conceder isenção nos impostos do óleo diesel, dos lubrificantes, das peças e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para as empresas que prestam esse serviço de transporte coletivo público possam baixar os seus custos e, conseqüentemente, o valor de suas passagens.

Qual o seu pensamento acerca das feiras sazonais que ocorrem em Itapoá? Essas feiras não prejudicam o comércio local?
Eu acredito que isso prejudique, sim. O que ocorre, é que elas acontecem em todas as cidades balneárias. Se elas cumprem a lei e nós não fornecemos o alvará de funcionamento, eles entram com liminar judicial e atuam por meio dela. Então, se elas cumprem todos os requisitos exigidos, nós somos obrigados a fornecer o alvará.

Como a Prefeitura está encarando o pós-calamidade? Existem alguns projetos de revitalização? Quais?
Nós encaminhamos as nossas reivindicações por meio da Defesa Civil, junto ao Governo do Estado e ao Governo Federal e estamos aguardando o retorno. Até agora, só recebemos o saibro que está sendo enviado pelo Governo do Estado através da Defesa Civil. Mas até o momento, não recebemos absolutamente nada do que reivindicamos. Recebemos, sim, uma verba sem termos pedido, voltada para a Secretaria Municipal de Saúde, em que nos enviaram um valor até bastante elevado e, paralelamente, no quadro de situações em que poderíamos utilizar esse dinheiro, o município não se enquadra em praticamente nada. Esse quadro permite, por exemplo, que aluguemos uma ambulância a um valor exorbitante, mas não permite que nós a compremos, sendo que com o valor do aluguel de um mês ou um mês e meio já daria para comprar uma ambulância. Então, é permitido alugar, mas não é permitido comprar.

Em termos financeiros, o senhor acredita que a Prefeitura Municipal enfrentará muitas dificuldades em virtude da crise econômica mundial?
Já estamos enfrentando. Eu posso citar até um grande exemplo. Os pequenos municípios dependem muito da parcela do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), encaminhado a partir do Governo Federal. Para que se tenha uma idéia, a segunda parcela do FPM de janeiro de 2008 correspondia a mais de R$ 124.000,00, enquanto a segunda parcela de janeiro desse ano não chegou a R$ 69.000,00. Esse FPM é formado fundamentalmente pelo Imposto de Renda e pelo IPI e a grande queda nas vendas de automóveis, caminhões, máquinas agrícolas, entre outros, fizeram com que o FPM caísse por terra.

Como o senhor avalia a alta temporada que está por se encerrar?
Esse ano, na verdade, a temporada foi bastante fraca. Estima-se que tivemos um movimento de 30% a 40% menor do que o normal. Um tanto por causa das enchentes e outro tanto por causa da crise financeira. Eu estava conversando com um amigo meu, gerente bancário, e ele disse que o dinheiro ainda existe, mas como todos estão cautelosos com a crise, esse dinheiro está sendo guardado. Então, muitas pessoas deixaram de curtir a temporada por esse motivo.

Itapoá está com algum planejamento especial para o Carnaval 2009?
Não. Lamentavelmente, até começamos a fazer um orçamento para duas noites de carnaval e gastaríamos mais de R$ 30.000,00. No momento, estamos necessitando urgentemente de um carro para a Saúde que custa o equivalente. Entre gastar esse dinheiro com o carnaval ou com um carro para a Saúde, prefiro optar pela saúde.

Caso alguém da comunidade queira fazer alguma reivindicação ou, então, dar alguma sugestão ao Prefeito Municipal, como deve proceder?
Estamos à disposição através, inclusive, dessa brilhante idéia que é o Diário de Itapoá.

Qual a mensagem que o senhor deixa para a população itapoaense e, até mesmo, para os veranistas que freqüentam o nosso município?
Para os veranistas, que continuem nos prestigiando, visitando sempre as nossas praias e trazendo cada vez mais pessoas para conhecerem o nosso município. Para a população de Itapoá, quero dizer que assumimos a Prefeitura em um tempo de crise, os comerciantes podem confirmar isso. Tudo faremos, na verdade, para economizar no sentido de contornar essa crise e conseguirmos concluir o nosso mandato, cumprindo com o plano de trabalho que assumimos durante a campanha.

 

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