ENTREVISTA: Gilberto Crepaldi Mondini, Delegado da Polícia Civil de Itapoá Imprimir E-mail
Entrevistas
Qui, 25 de Abril de 2013 11:21

Gilberto Crepaldi Mondini, Delegado da Polícia Civil de Itapoá.Nascido em Sumaré (SP) no dia 18 de maio de 1979, Gilberto Crepaldi Mondini reside em Itapoá desde que chegou à cidade para assumir a Delegacia de Polícia Civil local, em 05 de abril de 2011. Tendo ingressado cedo na carreira policial, com apenas 16 anos (em 1995), ele já iniciava na Polícia Civil do Estado de São Paulo. “Por lá, passei em quase todos os departamentos da Polícia. Trabalhei em cartórios criminais, na investigação, no setor de telecomunicações, no setor de identificação, na carceragem, no secretariado e no atendimento ao público”, explica o delegado. Em 2009, Gilberto foi aprovado no concurso para delegado da Polícia Civil em Santa Catarina. “Após cinco meses de treinamento na Academia da Polícia Civil, trabalhei nas cidades de Florianópolis e Concórdia, onde recebi uma promoção e acabei por escolher Itapoá para ser delegado de polícia titular de comarca”, conta. Formado em Direito pela Universidade Paulista, o delegado da Polícia Civil de Itapoá possui três pós-graduações, sendo duas na área do Direito e outra na área da Segurança Pública.

A partir de agora, você confere a e entrevista que o Diário de Itapoá fez com Gilberto Crepaldi Mondini, Delegado da Polícia Civil de Itapoá:

A Delegacia de Polícia Civil de Itapoá conta com quantos servidores?
Atualmente, estamos com cinco agentes de polícia. Quatro trabalham no plantão e um no expediente. Temos um escrivão de polícia de carreira, que é responsável pelos inquéritos policiais, uma funcionária da Prefeitura, que cuida dos termos circunstanciados de ocorrência e outro funcionário, também da Prefeitura, que faz as vistorias veiculares, expedição de carteiras de identidade e carteiras de trabalho, e uma senhora que cuida da limpeza do prédio. Efetivo que é insuficiente para as demandas atuais da unidade policial, que somente consegue apresentar resultados positivos por causa do trabalho extraordinário dos policiais que aqui estão lotados. Para que a Delegacia fique com condições mínimas de trabalho, necessitamos de, pelo menos, mais dois agentes e um escrivão de carreira.

Como funciona a Delegacia de Polícia Civil?
A Delegacia não fecha, funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. No horário comercial, das 08h00min às 18h00min, de segunda a sexta-feira, funciona de forma plena, atendendo todos os serviços de atribuição da Polícia Civil. Nos demais horários, o plantonista é que fica na unidade policial e atende apenas os casos mais graves e urgentes. O Delegado e o escrivão de carreira, fora do horário comercial, ficam de sobre aviso e, qualquer urgência, emergência, prisão em flagrante ou investigação em andamento, são acionados pelo plantonista e realizam os serviços de polícia judiciária pertinente para cada caso, independente do horário e dia da semana.

Quais as infrações mais comuns atendidas pela Polícia Civil de Itapoá?
A maior parte dos atendimentos realizados pela Delegacia é de casos sem muita gravidade, ou seja, invasão de terras ou residências, briga de vizinhos, brigas de marido e mulher, acidentes de trânsito, furtos, ameaças, injúrias, difamações, etc. Casos que não são graves, mas que consomem muito tempo dos policiais.

Qual a análise que se pode fazer da Segurança Pública de Itapoá atualmente?
Apesar de um início de ano violento, podemos dizer que foram casos pontuais e que a maioria deles está esclarecida. Itapoá, ainda, é uma cidade muito tranquila para se viver. Mas temos que nos preocupar com o futuro próximo, visto que a cidade está crescendo assustadoramente e, com o progresso, também vem à violência, inevitavelmente. Crimes que quase não ocorriam na cidade, hoje estamos vendo com mais freqüência. Isso nos preocupa e requer mais atenção das autoridades.

Qual o caso de maior repercussão atendido pela Polícia Civil de Itapoá neste tempo em que o senhor está à frente da Delegacia do Município?
Geralmente, são os crimes mais graves. Lembro-me da prisão, em flagrante, no final do ano de 2012, de dois latrocidas que quase decapitaram a vítima no Pontal. Podemos citar também a grande operação policial realizada em fevereiro deste ano (2013) contra o tráfico de drogas, em que conseguimos reunir mais de setenta policiais civis e prender uma organização criminosa que era responsável por grande parte das drogas trazidas para a cidade de Itapoá. Prendemos a pessoa que trazia a droga de Foz do Iguaçu (PR), prendemos o distribuidor das drogas no Município e prendemos as pessoas que vendiam as drogas no varejo. Foi uma operação sem precedentes na Cidade, e que teve forte impacto no enfrentamento da criminalidade de Itapoá, visto que o tráfico de drogas é a mola propulsora dos demais crimes.

Fazendo um balanço deste tempo em que o senhor se encontra como delegado de Polícia Civil no Município, como avalia a atual situação do tráfico de drogas em Itapoá?
Infelizmente, o tráfico de drogas é um problema mundial e não será erradicado ou diminuído somente com ações de natureza policial. É um problema muito mais amplo, depende de ações em todas as esferas de governo (federal, estadual e municipal), em todos os segmentos (saúde, segurança, educação, assistência social, etc.), além de ser um problema cultural. Especificamente em Itapoá, podemos dizer que nos últimos meses, o tráfico de drogas sofreu uma metamorfose. Ou seja, antes eram três ou quatro traficantes que dominavam a cidade. Com a prisão destes traficantes, a cidade ficou sem um “patrão” e, com isso, a venda se pulverizou. Hoje, temos muitas pessoas vendendo drogas em pequenas quantidades, apenas para sustentar seus próprios vícios. Também estamos verificando a migração de traficantes de Joinville (SC), tentando fixar seus pontos de venda na Cidade. Mas nós estamos atentos a essas mudanças e tentaremos fazer o máximo para que o tráfico continue abafado no Município. O ano de 2012 foi o ano recorde de apreensão de drogas na cidade e, nos primeiros três meses de 2013, já superamos o mesmo período de 2012 nas apreensões.

Há, em vista, alguma ação conjunta com a Promotoria Pública de Itapoá para combater a criminalidade?
A maioria das ações realizadas pela Polícia Civil de Itapoá tem a participação do Ministério Público e do Poder Judiciário. Parte das investigações feitas pela Polícia Civil acaba resultando em operações policiais, as quais, geralmente, são cumprimentos de mandados de busca e apreensões e de prisões. Mandados que são requeridos pela autoridade policial (delegado de Polícia), os quais, na maioria das vezes, são referendados pela Promotora de Justiça local e, caso existam provas cabais dos crimes investigados, o juiz de Direito defere o pedido e os mandados são expedidos para cumprimento. Além disso, há constante troca de informação de crimes e criminosos entre a Delegacia de Polícia e a Promotoria de Justiça local. Em Itapoá, há uma união e harmonia perfeita entre Polícia Civil, Polícia Militar, Promotoria de Justiça e Poder Judiciário.

De alguns meses para cá, um considerável número de homicídios e assaltos em Itapoá tomou conta dos noticiários locais. Como se dá a ação da Delegacia de Polícia Civil nesses casos? Eles possuem alguma prioridade?
A Polícia Civil é a polícia investigativa e, logo que toma conhecimento de um crime, as investigações são iniciadas, geralmente pelo policial plantonista, que comparece no local, solicita perícia, se for o caso, e elabora um minucioso relatório, descrevendo tudo o que foi visto e apurado no local do crime. Esse relatório é encaminhado ao delegado de Polícia que, imediatamente, determina as diligências a serem realizadas. Nos casos de crimes graves (homicídios e roubos), de fato, procuramos dar prioridades, principalmente nas primeiras horas após o crime, ocorrendo à convocação de policiais de folga para ajudar nas investigações e, assim, dar uma resposta certa e rápida à sociedade.

Outro assunto bastante comentado em Itapoá é o envolvimento de menores com a criminalidade. Como a Polícia Civil tem agido com relação a esses casos? Como funciona quando um menor é apreendido?
Esse é outro grande problema a ser enfrentado por todo o Brasil. Em Itapoá, não é diferente, temos muitas ocorrências envolvendo adolescentes infratores. Recentemente, conseguimos esclarecer três assaltos ocorridos na cidade, sendo que um dos assaltantes era adolescente, velho conhecido da polícia e que já tinha sido apreendido anteriormente, mas estava solto e, assim, voltou a delinquir. Tanto a Polícia Civil quanto a Militar fazem o que deve ser feito, mas pelo fato de serem menores da idade, somente podemos apreender esses infratores quando são surpreendidos praticando crimes com violência ou grave ameaça à pessoa, ou representar pela apreensão no caso de reiteração na prática de atos infracionais, porém caso sejam apreendidos, não temos local para que eles fiquem recolhidos e, assim, o juiz de Direito não tem alternativa a não ser entregar esses adolescentes a seus responsáveis, o que, de fato, gera uma grande frustração para todos nós e uma sensação de impunidade, tudo porque o Governo Estadual não disponibiliza locais adequados para os adolescentes ficarem apreendidos.

O que se pode esperar da Segurança Pública de Itapoá em 2013?
Da minha parte e dos policiais que trabalham comigo, é muito trabalho e dedicação, porém temos que cobrar das autoridades mais efetivo e viaturas para ambas as corporações, visto que o que temos atualmente é insuficiente para as demandas existentes. Os crimes somente são esclarecidos nesta cidade, porque os policiais trabalham em seus horários de folga. Caso contrário, não teríamos tantas prisões e apreensões como tivemos nestes últimos meses.

Qual a mensagem que a senhor deixa para a população itapoaense e, até mesmo, para os turistas que frequentam Itapoá?
Que apesar dos últimos acontecimentos, Itapoá é uma cidade pacata e tranquila para se viver. Foram acontecimentos pontuais e os que ainda não foram esclarecidos, que são poucos, nós já estamos no encalço dos criminosos. Temos policiais civis e militares comprometidos e que se esforçam, além do normal,  para manter a tranquilidade da cidade. Fazer segurança pública não é fácil. Necessitamos, diretamente, da colaboração da população, com denúncias anônimas feitas pelos números 181 ou 190. Os principais interessados na tranquilidade e segurança da cidade são seus munícipes, razão pela qual contamos com a colaboração de todos. Para finalizar, gostaria de dizer que a Polícia Civil de Itapoá está de portas abertas a todas as pessoas que necessitarem de nossos serviços e orientações. Sou uma pessoa bem acessível e estou à disposição de todos. Peço a paciência e a compreensão da população. Às vezes, não conseguimos fazer tudo o que queremos, por vários motivos, mas posso garantir aos senhores que mesmo com um efetivo muito abaixo do ideal, sempre tentamos fazer mais e melhor para o povo de Itapoá.


Do Diário de Itapoá.


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