ENTREVISTA: Patrício Júnior, Presidente do Porto Itapoá Imprimir E-mail
Entrevistas
Sex, 29 de Março de 2013 10:40

Patrício Júnior, Presidente do Porto Itapoá.Nascido em 12 de junho de 1961 no Rio de Janeiro (RJ), Antônio José de Mattos Patrício Junior, no último dia 21 de março, tornou-se Presidente do Porto Itapoá. Até então, ele era Superintendente Geral do Terminal. Oficial de Marinha Mercante, Patrício Júnior e o Rei da Jordania Abdullah II, em fevereiro de 2006.formado pela Academia de Marinha Mercante do Rio de Janeiro (turma de 1983), Patrício também possui MBA em Administração Portuária pela Lloyds Business Academy e Universidade de São Paulo (USP), além de Formação de Executivos, pelo IMD Business School, na Suíça.  “Iniciei minha vida profissional na tripulação de navios do armador brasileiro Aliança Navegação e Logística, onde fiquei até 1995. De lá pra cá, tive minha carreira focada na implantação, consolidação e administração de terminais portuários mundo afora. Fui Gerente de Operações da Sealand em Campinas (SP). Após aquisição desta pelo Grupo APMoller-Maersk, passei a gerenciar as operações da Maersk-Sealand para toda a América do Sul e Caribe, em São Paulo, capital. Em 2002, fui convidado pelo Grupo APM para implantar o Ceará Terminal Operator (CTO), para operar o Porto do Pecém, no Ceará. Após dois anos de consolidação do Terminal, fui chamado pelo Grupo APM para executar a transição do recém-adquirido Terminal de Contêiner de Aqaba, na Jordânia, como CEO (Chief Executive Officer). Em Aqaba, fizemos um trabalho exemplar, tornando esse Terminal um dos principais terminais de contêineres do Oriente Médio. O sucesso foi tamanho que acabei ganhando a cidadania jordaniana, dada diretamente pelo Rei da Jordânia, King Abdullah II (foto). A partir de 2007, tornei-me o Diretor Comercial da APM Terminals para Caribe e América do Sul, sediado no Panamá. Em 2010, depois de deixar o Grupo APM Maersk, um novo e importante desafio em minha carreira: implantar o mais novo terminal portuário da América Latina, o Porto Itapoá. Inicialmente atuei como CCO (Chief Commercial Officer), e em 2011 assumi como CEO/Superintendente, e agora, desde o dia 21 de março passei a ocupar a Presidência da Empresa. Sem dúvida, uma carreira construída com muito suor e sacrifício, mas também muito recompensadora em todos os sentidos”, conta o novo Presidente do Porto Itapoá.

A partir de agora, você confere a e entrevista que o Diário de Itapoá fez com Patrício Júnior, Presidente do Porto Itapoá:

Como o senhor avalia o trabalho desenvolvido pelo Porto Itapoá até o momento?
O Porto Itapoá é um projeto que tem início no começo da década de 90, empreendido inicialmente pela família Battistella. De lá pra cá se vão alguns anos e muito investimento privado na consolidação deste projeto, que pode ser considerado o mais moderno não só do Brasil, mas também da América Latina. Nossa operação, contudo, é muito recente. Temos menos de dois anos de operação apenas (16 de junho de 2011 – Início das Operações do Porto Itapoá), e já estamos configurando entre os principais terminais portuários do País. Em janeiro de 2013, por exemplo, já fomos o segundo porto em movimentação de contêineres do estado de Santa Catarina, que possui cinco terminais. O importante nisso tudo é o destaque que precisamos dar, e ressaltar a toda população, no que se refere ao projeto do Porto Itapoá como um todo. Se compararmos o nosso Terminal com qualquer outro no Continente, temos uma peculiaridade ambicionada por todos: o mínimo impacto socioambiental que oferecemos. Estamos em um dos extremos da cidade, conseguimos trazer para cá uma rodovia de qualidade, fazendo com que o trânsito com destino ou origem ao Porto não interfira no perímetro urbano da cidade. Somado a esta condição, hoje somos o maior contratante privado do município, com 464 colaboradores, e até o final do ano devemos chegar a 624, o maior gerador direto de impostos municipais, um fator de atração imensurável de novos investimentos. Em 2014, por exemplo, esperamos que cinco novas empresas estejam atuando na retro área do Porto Itapoá, ofertando em média mais de 2 mil empregos diretos. Também para 2014, já devemos ter iniciado o projeto de expansão do Porto, o que deve quadriplicar nossa atual movimentação e, definitivamente, se consolidar entre os principais terminais portuários da América Latina. Sem dúvida nenhuma, esta primeira fase do Terminal já é um sucesso nacional.

Como estão os projetos de ampliação do cais e pátio do Porto? Qual a previsão de concretização dessas obras?

Como destacamos anteriormente, devemos executar a expansão nos próximos dois anos. Porém, o projeto em si já iniciou. São trabalhos de licenciamento ambiental e operacional, estudos de impacto socioambiental e autorização dos órgãos intervenientes. Este processo acaba sendo mais demorado, devido à análise complexa e sistemática dos órgãos que avaliam empreendimentos de grande porte. Contudo, é importante ressaltar, que a expansão do Porto Itapoá vai acontecer, mas é muito importante que a cidade esteja preparada para isso. Ainda há tempo para o Poder Público pensar a cidade para daqui há 5 ou 10 anos, e evitar que o crescimento da atividade portuária gere desconforto à população. Itapoá tem todas as oportunidades possíveis para tornar-se uma cidade modelo. Tem potencial turístico, potencial industrial e econômico, localização geográfica muito privilegiada, além de uma imensidão de área a ser explorada de forma sustentável. Cabe também à população cobrar de seus representantes políticos essa estruturação adequada de nossa cidade. Nessa expansão, vamos trabalhar em conjunto com todas as entidades da Cidade (SOS Orla, Concidade, Associação de Moradores, etc.), além, é claro, das autoridades constituídas.

Considerando o crescimento de Itapoá nos últimos anos, o que se pode esperar do Porto no que diz respeito ao desenvolvimento de projetos sociais e ambientais para os próximos anos?
O Porto Itapoá sempre foi e será um parceiro da cidade. Os números e ações provam isso, e não só as manchetes de jornais. Carregamos o nome do Município em nossa marca e a levamos para todas as partes do mundo. Hoje, para se ter uma ideia, investimos cerca de 200 mil reais mensalmente, somente em ações de educação, prevenção e treinamento ambiental. Podemos dizer que esse investimento é uma questão prática de responsabilidade socioambiental. Um empreendimento do porte do Porto Itapoá oferece riscos, principalmente ao meio ambiente. Nosso papel é identificarmos esses riscos e trabalhar 24 horas por dia, em atenção total para que o risco não se torne realidade, e devido ao nosso empenho e o empenho de nossos colaboradores e parceiros, temos tido sucesso nesse aspecto. Do ponto de vista social, temos realizado diversas ações no Município, mesmo antes da operação do terminal. Somos uma empresa que preza pela valorização do ser humano em todos os seus aspectos, e manteremos essa diretriz alinhada de forma sustentável com o nosso negócio em todas as nossas ações.

Como o senhor avalia a importância e os resultados das ações sociais que o Porto Itapoá já realizou com a comunidade itapoaense?
Como dito, somos o principal empregador privado do Município. Somos o principal gerador de impostos. São quase 500 colaboradores que moram em Itapoá e utilizam os serviços da Cidade. Seus filhos estudam nas escolas do Município, participam dos eventos culturais e de lazer da cidade. É de extrema importância que criemos condições para que a cidade como um todo entenda que o Porto Itapoá quer o bem de todos, e que a qualidade de vida da população seja alcançada em todos os setores da sociedade. Contudo, não podemos interferir na administração pública, que é a responsável, por lei, para garantir o bem estar da sociedade. Mas, no que podemos atuar, temos nos comprometido a desenvolver bons e relevantes trabalhos sociais. Devemos, sim, cobrar das autoridades (Executivo e Legislativo), o que estão fazendo com os novos recursos gerados pela atividade portuária.

O ano de 2012 foi de recordes para o Porto. Quais são as projeções para 2013?
Mantermos nossa alta performance. Isso se dará, principalmente, com novos serviços que devemos ter ao longo do ano. Em março (agora), por exemplo, trouxemos um serviço importante, o ABAC/CONOSUR, que faz a rota Oeste-Leste na América do Sul. Novos serviços trazem novos exportadores e importadores. Trazem mais movimentações, mais receitas, novos empregos, mais investimentos. É uma cadeia altamente dinâmica e rentável. Esperamos sempre buscar o crescimento nesse sentido. Muitas outras novidades ainda virão até o final do ano, podem apostar, só não podemos falar no momento, pois estamos trabalhando estrategicamente para consegui-las.

Em julho de 2012, foi anunciada a implantação do projeto PSP (Porto sem Papel) no Porto Itapoá. Como está o processo de implantação? Quais os benefícios que tal projeto trará ao terminal portuário?
Na verdade, o Porto sem Papel é um projeto da Receita Federal, dirigido especialmente aos Portos Públicos. Contudo, mesmo o Porto Itapoá sendo um terminal privado, já nos antecipamos e criamos todas as condições para que os processos ligados ao projeto Porto sem Papel sejam trabalhados por aqui. Fato este que já é uma realidade no Terminal, especialmente no processo alfandegário.

Há uma previsão para a concretização do acesso B-1 (continuação da Rua 2.850) que está sendo construído e asfaltado pelo Porto Itapoá?
A área de acesso B-1, assim chamado pelo porto, deve estar concluída em março. Importante citar que essa área é dividida em duas partes. A parte 1 é a Rua 2850, de acesso público, e a parte 2, que é privada, de propriedade do Porto Itapoá. Essa obra, realizada com investimento exclusivo do Porto Itapoá, deve favorecer o trânsito e a contenção de caminhões de contêineres, evitando que esses trafeguem pela região da Figueira, atendendo os anseios da comunidade e promovendo mais segurança aos moradores da região, bem como aos próprios caminhoneiros.

Ainda no que diz respeito ao novo acesso em construção, há a intenção de liberar a passagem de veículos para a comunidade ou será um trecho de trafego restrito?
Como se trata de um terreno comprado pelo Porto e, uma obra feita pelo Terminal, com custos de aproximadamente 15 milhões de reais, o acesso será restrito aos Caminhões com origem ou destino ao Porto Itapoá, veículos oficiais e emergenciais. Desenvolvemos todos os projetos junto à Prefeitura e órgãos responsáveis e, reforçando que o terreno é uma propriedade particular e não uma via municipal, o Porto deve explorar exclusivamente pra o tráfego de caminhões. O objetivo, novamente, é evitar o trânsito de caminhões ao longo da região da Figueira. Quanto à Rua 2850, que era um acesso de terra, estará aberta à população, como sempre esteve, só que agora totalmente pavimentada pelo Porto Itapoá. É importante notar que esse acesso foi uma demanda da cidade, que no ano passado, através de um acordo com o Porto, também conseguiu mais de 10 Km de pavimentação ao longo da Cidade (o maior investimento feito em Itapoá nos últimos anos).

Há alguns anos, o Município passa por um sério problema, que é a erosão de sua orla marítima, como o senhor avalia essa situação?
Esse problema é algo que impacta toda a população e, o Porto já se mostrou à disposição para, em parceira com a Prefeitura, procurar soluções para resolver e diminuir essa questão. Desde o início de suas operações, há dois anos, o Terminal já vem financiando estudos e eventos em prol da comunidade nesse sentido. Trouxemos também o Prof. Marcos Lyra, que apresentou a alternativa dos dissipadores de energia, como os bag-walls, ações já desenvolvidas em diversas praias do Nordeste, com a mesma problemática que Itapoá.

Como o senhor avalia o atual momento do Município?

Itapoá tem um potencial muito grande. Diferente de outras cidades portuárias, aqui ainda dá tempo para que a infraestrutura em formação do Município caminhe paralelamente ao desenvolvimento econômico que o Porto traz, e trará à cidade e à região. É preciso que o Município, através do Poder Público, procure a melhor maneira de estruturar isso, criando incentivos para outras empresas se instalarem aqui, para garantir mais receita e poder investir em saúde, educação, turismo, segurança e infraestrutura, que são itens que Itapoá precisa melhorar muito ainda. Para esse trabalho, o Porto Itapoá já se mostrou a disposição para contribuir com o órgão executivo a fim de participar da criação de um programa de desenvolvimento para a cidade, que contemple todas as áreas que necessitamos. Cabe aos representantes eleitos pelo povo atuarem dignamente e responderem aos anseios desta comunidade com muito planejamento, trabalho e honestidade.

Qual a mensagem que o senhor deixa para a população itapoaense e, até mesmo, para os turistas que frequentam Itapoá?
Itapoá tem 32 km de praia. E nessa extensão, você tem condições ímpares, como raras vezes encontra-se em cidades litorâneas. Temos área portuária, área de pesca, praia de surf, praia calma, praia cristalina, praia com desenvolvimento gastronômico, enfim, nosso potencial para se tornar uma referência em Desenvolvimento Sustentável é incrível. Precisamos entender, agora, como se constrói isso, preservando as condições naturais da cidade, mas, abrindo as portas para o desenvolvimento econômico, gerando emprego e renda para toda a população. Amo esta cidade de coração, e já me considero um filho adotivo da terra. E a quem interessar possa, o Porto não quer mandar na cidade, mas estará sempre do lado dos bons costumes, dos honestos, sempre pronto a ser um verdadeiro parceiro desta comunidade, desta pedra preciosa que está sendo lapidada. Viva Itapoá, Viva o Porto que leva ao mundo o seu nome, Porto Itapoá.
Fazendo a diferença para sempre fazer melhor.




Do Diário de Itapoá.


 

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