Confira o texto do estudante de Itapoá Gabriel Lehmann diante do descaso com a educação pública do Brasil Imprimir E-mail
Educação
Sáb, 16 de Maio de 2015 22:52

Diante de um cenário alarmante de ineficiência na educação pública do Brasil, seja com a precariedade na infraestrutura de prédios públicos, desvalorização da carreira do magistério e greves se ampliando por todo o país, é preciso ouvir quem mais depende dos investimentos numa educação pública de qualidade: Os estudantes. Confira o artigo do estudante de Itapoá Gabriel Lehmann, publicado neste sábado (16) no jornal Diário de Itapoá.


Pátria Amada Brasil

Salve, salve a pátria educadora! Terra adorada entre outras mil! Salve, salve a mãe gentil!
                   
Transcrevo nestas linhas uma dor narrada, vou relatar uma tragédia compartilhada.
                       
Dos pilares fundamentais, observemos a educação, o que é? Como está? Pra onde vai?
                           
A educação faz parte de um conjunto de direitos, chamados de direitos sociais, que tem como inspiração o valor da igualdade entre as pessoas; educação é um direito garantido pela Constituição Brasileira e promovê-la é uma responsabilidade do Estado. Enfim, enquanto teoria, nosso sistema educacional é impecável, repito, enquanto teoria.
                       
Na prática, no cotidiano, vivemos uma realidade bem diferente, somos milhões de alunos por todo o país, usuários, digo, vítimas de um sistema falido. Somos as marionetes coadjuvantes no circo de horrores formado pelos devaneios e ambições imensuráveis, dos famigerados vilões protagonistas dessa atração circense intitulada educação. E esse show de mau gosto pode ser acompanhado ao vivo e de graça diariamente em seu lugar de execução, as escolas, ou depósitos de marionetes, como preferirem.

É lá, nas escolas, que vivemos o nosso drama, que vemos e sentimos as consequências da administração irresponsável e incompetente do poder público.
   
É lá, nas escolas cheia de rachaduras, goteiras, fiação exposta,cheia de remendos, uma pintura aqui, outra tapeação lá que temos que estudar. Nas escolas caindo aos pedaços, nas escolas sem acesso aos deficientes, nas escolas onde nem todos tem uma sala pra estudar, nas escolas que improvisam cadeiras e carteiras, nas escolas que não oferecem um espaço adequado pra fazermos a educação física, que se resume hoje em jogos de mesa, justamente por conta da precariedade e, em muitos casos, ausência da estrutura devida, escolas como a minha onde esperamos  mais de 4 anos pela reforma do ginásio, nas escolas em que estudar numa sala com ar condicionado é questão de sorte, uns tem outros não, nas escolas que nem sempre oferecem uma alimentação digna, nas escolas que não tem profissionais capacitados pra atender aos alunos com necessidades especiais, nas escolas em que é praticamente impossível fazer pesquisas nas salas de informática, pois estas simplesmente não existem, ou quando existem, como de costume não oferecem material e estrutura de qualidade, nas escolas em que somos privados do contato com nossa cultura literária por não existir uma biblioteca, nas escolas em que ideias de grupos de estudo partidas dos alunos são boicotadas, por falta de um espaço decente pra atender esse tipo de projeto... As falhas estão ai, numerosas, incessantes, a perder de vista, como reflexo direto da incompetência e indiferença dos nossos governantes com a educação.

Governantes estes que de sorriso amarelo e munidos de seu dicionário de ignorância, não hesitam um segundo se quer em sacrificar nossos jovens e seu direito à educação. E fica uma pergunta: quem já viu filho de político em escola pública? Respondido duas das questões, fazemos agora a última reflexão: pra onde vai? Onde vai parar a educação?

A resposta é fácil e bem explícita: Pra lugar nenhum! Ela já parou! Há muito tempo o vagão da educação descarrilhou e perdeu seus eixos, ensinar está virando um verbo desempregado e o aprender uma cultura sem adeptos, na educação sucateada, está se perdendo a imagem de professor, o profissional respeitado de outrora esta perdendo este respeito frente aos seus alunos, em decorrência da sua desvalorização por parte do Estado, ele agora não é mais tido como o educador, mas sim ''alguém que topou dar aulas''.

Numa guerra de interesses de ''gente grande'', a bala perfurou tão fundo que o gigante não suportou, ruiu diante de princípios imorais e veio ao chão, levando consigo um povo e sua educação.

Por Gabriel Lehmann


 

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