Sistema de ensino de Joinville testa nova proposta de ensino do MEC, a qual já vem sendo aplicada em Itapoá Imprimir E-mail
Educação
Seg, 14 de Fevereiro de 2011 10:23

O ano letivo começou há uma semana na rede pública, mas uma discussão sobre o novo modelo de ensino médio promete ser uma das principais pautas do ano na educação.

Em Joinville, há pelo menos dois modelos sendo testados: um no Cedup e outro em duas escolas da rede estadual - o Brasil Profissionalizante e o Ensino Médio Inovador, criados pelo Ministério da Educação (MEC).

As mudanças no currículo e no modelo do ensino médio têm um objetivo: evitar os altos índices de evasão escolar entre os adolescentes. Na maior cidade do Estado, por exemplo, 5,86% dos jovens entre 15 e 17 anos saíram da escola em 2008. Em alguns bairros, como no Vila Nova, o número está acima dos 15%. Na mesma faixa de idade, a taxa de adolescentes que abandonou definitivamente os estudos naquele ano também era alta: 18,85%.

Para contornar esses números, é meta dos governos federal e estadual apostar em um ensino diferente. No começo do ano, o ministro Fernando Haddad anunciou que o ensino médio integrado com o profissionalizante é uma das grandes esperanças da equipe de especialistas do MEC.

A ideia de o aluno cursar o ensino médio em um turno e fazer o ensino técnico em outro requer formação de professores, parcerias com governos e prefeituras e altos investimentos em infraestrutura nas escolas.

Na região Norte, um modelo parecido foi implantado no ano passado em São Francisco do Sul e em Itapoá. Neste ano, começará a funcionar no Cedup, em duas turmas: técnico em marketing e técnico em qualidade.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, já apresentou um projeto à presidente Dilma Rousseff, que deu sinal verde para encaminhar a proposta à equipe econômica.

Na avaliação do ministro, mesmo com a ampliação do número de escolas técnicas federais no governo Lula, o avanço é pequeno na integração do ensino médio com o técnico.

— O ensino médio precisa de uma injeção de ânimo muito forte —, afirmou.

Ainda não há definição de custo estimado nem como seria a aplicação da medida. Haddad disse que, além das 354 escolas técnicas federais, poderiam participar do projeto mais 500 escolas do Sistema S (Senac, Senai, Sesc etc) e mais 500 do Programa Brasil Profissionalizado (200 a serem criadas). A carga horária complementar seria composta por disciplinas relacionadas ao curso escolhido mais atividades de esporte e cultura.

O ensino técnico é restrito no País, porque faltam vagas. Enquanto 8,3 milhões cursam o ensino médio, 861 mil fazem o profissionalizante, o equivalente a 10,3%. Dos que estão no nível técnico, 60% começaram depois de terminar o médio.

Para alterar o quadro, o governo terá um desafio pela frente. Em média, cada escola federal oferece 1,2 mil vagas, número insuficiente para atender à demanda. Em algumas unidades, a concorrência é muito acirrada. No Estado, são 1,6 mil estudantes matriculados no ensino médio integrado do Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC), que oferece 422 vagas nesse modelo. No último processo seletivo, o curso mais concorrido foi o de edificações - 15,53 candidatos para cada uma das 32 vagas oferecidas.


PREPARAÇÃO PARA O MERCADO

A partir deste ano, Joinville vai ganhar dois cursos de ensino médio integrado ao ensino profissional. As aulas dos cursos técnico em marketing e técnico em qualidade serão oferecidas no Cedup, mas ainda não está definido se irão começar no primeiro ou no segundo semestre. Serão cerca de cem vagas.

Segundo a consultora educacional da gerência regional de Educação, Angela Cristina da Silva, um modelo parecido foi implantado em Itapoá e em São Francisco do Sul no ano passado, quando duas escolas passaram a formar técnicos em logística portuária e em comércio.

— Os cursos foram discutidos com a própria comunidade, levando em conta o mercado —, reforça a consultora.

Em Itapoá, o Curso Técnico em Logística Portuária, foi a principal novidade apresentada pela E.E.B. (Escola de Educação Básica) Nereu Ramos no início do ano letivo passado (2010). Tal curso iniciou no horário da tarde, com uma turma de 1ª série do Ensino Médio. Ele tem duração de quatro anos e os alunos interessados são selecionados pela orientação educacional.

O ensino médio integrado tem quatro anos de duração. A proposta é aliar as disciplinas do currículo convencional (como português e matemática, por exemplo) ao ensino específico voltado para a profissão.

— Com isso, estamos dando uma oportunidade para que as pessoas saiam com uma qualificação para o mercado de trabalho.

A iniciativa faz parte do Programa Brasil Profissionalizado, criado pelo MEC.


ESCOLAS TESTAM UMA DAS APOSTAS DO MEC

Duas escolas de Joinville fazem parte, desde o ano passado, de um modelo que promete revolucionar o ensino médio no Brasil. O Ensino Médio Inovador é uma das apostas do MEC para diminuir a evasão escolar e manter o interesse dos jovens pelo estudo. As escolas estaduais Jandira D'Avila, no Aventureiro, e Osvaldo Aranha, no Glória, deram a largada nos projetos.

— Temos duas escolas polos, que começaram os projetos em 2010 e vão continuar em 2011. É provável que o modelo expanda nos próximos anos —, explica a consultora educacional da gerência regional de Educação, Angela Cristina da Silva.

O projeto envolve aulas regulares e oficinas em cinco eixos em turnos diferentes. O tempo extra de estudo é opcional.

Para 2011, por exemplo, a Escola Jandira D'Avila irá oferecer módulos que integram diferentes oficinas. Os alunos escolhem o que cursar.

— Temos professores diferenciados e uma equipe técnica focada nisso. As aulas regulares também giram em torno dos projetos —, explica Angela.

Na Escola Osvaldo Aranha, haverá oficinas sobre o meio ambiente, com direito a discussão de assuntos como reciclagem e fabricação de sabão. Também há um projeto chamado Escola de Líderes, em que os estudantes mergulham em disciplinas como antropologia filosófica, ética, espiritualidade e psicologia.

Por enquanto, as matrículas para o Ensino Médio Inovador só estão disponíveis nessas duas escolas de Joinville, mas a expectativa é de que outras possam compartilhar o projeto nos próximos anos.

Uma das propostas do governo federal é oferecer ao aluno a possibilidade de escolher 20% da carga horária e da grade curricular, dentro das atividades oferecidas pela escola.


ESPECIALISTA CRITICA MODELO

O economista e especialista em educação Claudio de Moura Castro avalia como equivocada a proposta do Ministério da Educação (MEC). Para ele - autor de vários livros e artigos sobre o assunto e considerado um dos maiores estudiosos sobre educação no Brasil -, o projeto ignora décadas de história e pesquisas na área.

Integrar não seria a solução dos problemas do ensino médio, que, na opinião dele, está encolhendo por ser "chato e sobrecarregado de matérias".

— Aprendem-se coisas cujo uso, se é que existe, nem os professores sabem. Isso tudo em uma idade de transição, de grandes terremotos interiores e pouco interesse por assuntos teóricos e abstratos —, critica.

O especialista defende que a reforma do médio requer outros caminhos, que não passam pela integração com o técnico.

— Ela exige reduzir o número de matérias e, mais ainda, os conteúdos dentro de cada uma. Requer mais aplicação. Ser mais prático não significa ser voltado para um emprego ou ocupação. Significa que a teoria deve ser exercitada em aplicações no mundo real —, ressalta.

Além disso, ele argumenta que o ensino técnico tem um custo elevado.

— São escolas muito caras, têm quase custo de universidade federal, que, por sua vez, custam o mesmo que a média da Europa. Não há recursos para a expansão que seria desejável no setor público.


SANTA CATARINA QUER MAIS TEMPO

O secretário de Estado da Educação, Marco Tebaldi, considera a proposta do ministro Fernando Haddad um avanço. No entanto, a integração do ensino médio com o técnico em Santa Catarina não deverá sair nessa gestão, de acordo com Tebaldi.

— Precisamos adequar as condições do Estado. Vamos caminhar para isso, preparando para que, na próxima gestão, isso já aconteça. É algo para os próximos anos —, observa.

Mas 16 escolas estaduais catarinenses, além das duas de Joinville, já testam o Ensino Médio Inovador - o modelo já foi implantado em 354 escolas de 18 Estados brasileiros.

Tebaldi lembra que, em sua gestão como prefeito de Joinville, foi implantado um modelo como o proposto pelo MEC, no qual os alunos vão às aulas do ensino médio num período e, no outro, frequentam a escola técnica. No fim de três anos, o estudante sai formado como um técnico também.

— A implantação desse modelo contou com o apoio do setor privado de metal-mecânico. A Prefeitura ficou responsável por oferecer o terreno e os professores e eles fizeram o complemento.



Fontes AN.COM.BR e Diário de Itapoá.

 

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