Vereadores debatem o iminente fechamento de turmas da escola do Saí Mirim Imprimir E-mail
Educação
Qua, 24 de Novembro de 2010 23:00

Há aproximadamente uma semana, um assunto tomou conta de toda a comunidade itapoaense e, especialmente, da comunidade rural do Município. Trata-se do, já anunciado, fechamento das turmas do 6° ao 9º ano (5ª á 8º série) da Escola Alberto Speck, no Saí Mirim (bairro pertencente à área rural de Itapoá) por parte da Secretaria Municipal de Educação.

Na 35ª Reunião Ordinária da Câmara de Vereadores de Itapoá, realizada nessa segunda-feira (22), o fechamento das turmas na escola do Saí Mirim foi o assunto mais debatido pelos edis. O debate foi iniciado na ocasião da discussão ao Requerimento n° 31/2010, de autoria dos vereadores Daniel Silvano Weber, Jeferson Rubens Garcia, Joarez Antonio Santin e José Maria Caldeira. Na proposição, aprovada por unanimidade, os vereadores requerem que a Prefeitura encaminhe à Câmara, informações quanto ao motivo do fechamento das turmas de 6º ao 9º ano da Escola Municipal Alberto Speck, no Saí Mirim, previsto para o próximo ano. Segundo o Vereador Daniel, a proposição foi feita em virtude da solicitação de providências por parte de moradores do Saí Mirim. “Tenham certeza, todos os moradores do Saí Mirim, que esta Câmara de Vereadores, em sua unanimidade, irá batalhar e brigar para que aquelas classes continuem funcionando no Saí Mirim”, disse.

Para o Vereador Caldeira, a tendência do Saí Mirim é crescer muito, dentro de um curto período de tempo. “Estamos falando e aprovando o projeto que trata do zoneamento, do uso e da ocupação do solo. A tendência do Saí Mirim, com certeza, dentro de dois a cinco anos, é crescer. Por questão de economia, tirar dois ou três professores de lá e, daqui a dois anos, ter que voltar os professores para lá, acho que não compensa e nós, como vereadores, vamos procurar o Prefeito, conversar com ele e convencê-lo a manter como está, para que os professores continuem naquela comunidade e, assim, as crianças fiquem perto de suas casas”, comentou Caldeira.

A Vereadora Márcia Regina Eggert Soares contou um pouco da história da escola do Saí Mirim, citando que tal instituição já foi uma escola multisseriada, onde se atendia a quatro turmas em uma única sala. Na época, era mantida pelo Governo do Estado. Em 1991, o ensino foi municipalizado e, então municipalizou-se tanto a escola do Saí Mirim, quanto a escola do Braço do Norte (ambas na zona rural de Itapoá). A Vereadora cita que participou do fechamento da escola do Braço do Norte, mas com a preocupação de que se fosse montado um núcleo no Saí Mirim, para atender alunos de 5ª  a 8ª série, uma vez que não havia número suficiente para tal. A comunidade do Saí Mirim, há tempos, pede para que seja feito, naquela localidade, um núcleo de educação básica, o que inclui o Ensino Médio, mas segundo a Vereadora Márcia, isso depende, também, do Governo do Estado. O mais preocupante, segundo ela, é a distância que os alunos terão que percorrer para poder estudar. “Os pais cuidam em casa, os professores na escola. Quem é que cuida na rua? A preocupação é a rua e o tempo que elas (crianças) ficam longe de casa”, disse a Vereadora. Para ela, a situação não pode ser tratada apenas com números.  “Não tem que discutir o número de alunos e, sim, a unidade escolar rural. É a questão da cultura da comunidade. Temos que respeitar, como se respeita a cultura indígena. Todas as culturas devem ser respeitadas. Lá, é a zona rural. Nós sabemos que vamos ter uma mudança muito grande na comunidade do Saí Mirim. Estamos, aqui, estudando o Plano Diretor e a questão do uso e da ocupação do solo. Sabemos que o Saí Mirim vai sofrer uma transformação imensa”, disse. Ela informou, ainda, a respeito de um decreto que beneficiará municípios que venham a manter alunos estudando na zona rural. “No dia 04 de novembro, o Governo Federal, o nosso Presidente da República, assinou um Decreto Federal, o Decreto 7.352 do dia 04 de novembro, em que ele criou o Programa Nacional da Educação na Reforma Agrária. Esse Programa é o Pronera. É um programa do qual vem recursos a mais para crianças da área rural. Todas as crianças matriculadas nas escolas têm um valor que é repassado por aluno e os recursos para crianças matriculadas na área rural são maiores. À criança que estuda o dia todo na escola, o valor é dobrado. Então, provavelmente não está havendo essa discussão. Quem esperou até o final deste ano (2010) e acha que está tendo problema, pode esperar um ano a mais. E é um ano a mais que a comunidade do Saí Mirim precisa para mostrar que existe uma mudança dentro do Saí Mirim e que essa situação será modificada pelo número de alunos, se é essa a preocupação, porque acredito que não possa ser apenas essa preocupação da questão financeira. E quando se fala que não se houve aprendizagem, aí é que me preocupa muito mais, porque eu fiz um levantamento da situação da Escola Alberto Speck, e eles  possuem notas muito boas, sim" . Ainda segundo a vereadora "As crianças estão muito bem preparadas. Foi discutido também a questão de que a escola não apresenta projetos pedagógicos. Foi a escola que mais apresentou, pelo número de alunos. Proporcionalmente, foi a escola que mais apresentou”, completou a Vereadora.

O Vereador Jeferson diz não concordar com a atitude da Secretária de Educação, que não entrou em contato nem sequer com a Vereadora Márcia, que é da área da Educação e líder do Prefeito na Câmara. “Não tenho nada contra a pessoa da Secretária, mas eu acho que ela foi infeliz em não comunicar, pelo menos, a líder do Prefeito, de como está a situação: os prós e os contras, pedindo a opinião dela (Vereadora), que tem tanta experiência, pois já foi Secretária de Educação e já vem de outras gestões aqui (na Câmara). Eu acho que era o mínimo que ela (Secretária) tinha que ter feito”, comentou o Vereador.

O Vereador Valdecir de Souza citou que até o meio dia dessa segunda-feira (22), quando a Secretária Municipal de Educação, Valci Terezinha de Souza, deu entrevista à rádio 99.9 FM, ninguém sabia dos motivos que a levaram à decisão de fechar as turmas de 5ª a 8ª série da Escola Alberto Speck. Além disso, para o Vereador, o argumento utilizado pela Secretária não é válido. “Segundo a Secretária, as crianças, com poucos alunos, não interagem dentro da sala de aula. Para mim, não é um argumento que convence”, considerou.

Para o Vereador Marcelo Antonio Tessaro, a forma utilizada, pela Secretaria Municipal de Educação, para comunicar a decisão de fechar as turmas do Saí Mirim aos professores, o decepcionou. “Não é assim que funciona. Teriam, sim, que entrar em contato tanto com a comunidade, quanto com os vereadores, com a líder do Prefeito na Câmara, que acabou de expressar aqui no Plenário que nem mesmo ela tinha conhecimento do fato concreto, do porquê  estava acontecendo aquilo. Agora, nós nos vemos aqui, o Plenário todo, inclusive, por meio do Requerimento da bancada do PMDB, tendo que pedir, formalmente, um esclarecimento que eu penso que deveria ter vindo de livre e espontânea vontade, sem que tivéssemos que formular uma proposição para podermos saber os verdadeiros motivos do fechamento dessas turmas do 6º ao 9° ano”, disse o Vereador.

O Vereador Geraldo Weber considera que essa a decisão do fechamento das turmas no Saí Mirim precisa ser revista. “O Saí Mirim foi importante para o nascer de Itapoá. Todos nós tínhamos que passar por essa localidade. Não é justo para essa comunidade importantíssima de Itapoá que, como diz o ditado popular, nadou, nadou e morreu na praia. Agora que eles têm todas as possibilidades de se desenvolver, com um fato real, a partir do acesso dos caminhões e até dos carros para se chegar a Itapoá e, principalmente, ao novo Porto, que está sendo implantado. Acho que deve ser revista essa posição. No mínimo, deve ser analisado por um ano ou mais”, considerou o Vereador que, como suplente, assume a cadeira do Vereador Izaque Goes, temporariamente.


Breve, detalhes sobre a reunião realizada nessa quarta-feira (24), na comunidade do Sai Mirim, para tratar do fechamento de turmas da escola.

 

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