Tendência é de que a produção de fumaça em São Francisco do Sul cesse nesta sexta-feira (27) Imprimir E-mail
Defesa Civil
Sex, 27 de Setembro de 2013 08:05

Conforme comunicado oficial da Defesa Civil de Santa Catarina, as operação de combate ao incêndio dos bombeiros militares teve avanços durante esta madrugada.


A última atualização de dados do incêndio químico que ocorre em São Francisco do Sul,  aponta que 20% da população precisou sair de casa por conta da fumaça. A município conta com cerca de 46 mil habitantes. Todas as ações realizadas até agora contribuíram para que a fumaça reduzisse. Equipes da Defesa Civil Estadual continuam no local.


Previsão do vento:

Para esta sexta-feira (27) a previsão é de que nova mudança na direção do vento ajude a descolar a nuvem de fumaça para o mar, afastando-se das cidades durante a madruga e parte da manhã. Mais para o final da manhã e início da tarde desta sexta, o deslocamento da nuvem volta para o sentido continente. Não é descartada a possibilidade de que a nuvem chegue até a região Sul de São Paulo, o que vai depender das condições do vento no estado paulista nos próximos dias. Não há previsão de chuvas em São Francisco do Sul nestas quinta e sextas.  As informações foram divulgadas pela meteorologista Silvia Garcêz, do Ciram/Epagri.


A força-tarefa dos bombeiros militares e civis para controlar a fumaça causada pela explosão de uma carga de fertilizantes à base de nitrato de amônio na noite da terça-feira, dia 24, em São Francisco do Sul, Norte de Santa Catarina, teve avanços consideráveis durante a madrugada desta sexta-feira. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros de SC, o trabalho tem surtido efeito e a tendência é de que a produção de fumaça cesse ainda nesta sexta.

O Corpo de Bombeiros apresentará os detalhes dos trabalhos desta sexta em uma coletiva de imprensa por volta das 9h na sede da Prefeitura da cidade.

Quatro frentes de trabalho atuam no encharcamento do local, uma das quatro etapas para o controle do incêndio. O encharcamento começou a ser realizado na noite da quinta-feira e fez com que a fumaça ficasse menos densa e se dissipasse mais facilmente.

Na noite dessa quinta-feira, dia 26, a coluna de fumaça baixou no Centro Histórico de São Francisco e foi preciso ser realizada uma operação de evacuação da cidade. Pelo menos 13 bairros foram atingidos.

No fim da tarde da quinta, hóspedes de hotéis e moradores foram transferidos para a Praia da Enseada. Homens da Marinha e do Exército passavam de casa em casa pedindo para que os moradores encontrassem abrigo longe da fumaça.

Os pacientes que estavam internados no hospital de São Francisco foram transferidos para unidades hospitalares de Joinville.


Fonte: Defesa Civil e Diário Catarinense, com adaptações do Diário de Itapoá.

Entrevista

Cláudio dos Santos, sócio-proprietário da Global Logística


Cláudio dos Santos diz que passou as últimas 48 horas no local do acidente em São Francisco do Sul. Ele informou que acompanha a operação e repassa informações ao comando do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Exército e que, assim que solicitado, apresentará os documentos que comprovariam a liberação para operação do terminal de cargas.

DC – Como foi o acidente?
Cláudio dos Santos – Meus funcionários trabalham em turnos até meia-noite. Essa carga estava armazenada havia 15 dias, não estava sendo movimentada, estava estática.

DC – É uma carga de que?
Santos – É um fertilizante que é conhecido como NPK, um produto que dependendo da composição se encontra em jardim, grama. Nós somos um elo da corrente logística que faz parte do mercado internacional. Foi comprado no exterior por uma importadora, vem até o porto de navio e uma outra empresa vai de caminhões ao nosso terminal e o produto é transferido para o armazém.

DC – O produto estava armazenado havia 15 dias?
Santos – Mais ou menos isso. Não temos muitos detalhes porque a base operacional e as informações desse processo estão dentro do armazém no meio da fumaça.

DC – E a Global trabalha há bastante tempo com o NPK?
Santos – Nós já trabalhamos há dois anos com fertilizantes.

DC – E por que essa carga estava parada ali havia 15 dias?
Santos – O destino é o importador quem define. Manda para uma outra unidade para misturar o produto, outros embalam o produto em sacos de 50 quilos. Cada importador tem a sua característica de trabalhar e depois é distribuído no mercado.

DC – O que houve no incidente?
Santos – Houve uma série de informações equivocadas que gostaria de esclarecer. Falaram que houve uma explosão num contêiner, o que não é verdade, até porque o produto estava a granel no armazém. Não houve explosão, não houve fogo. O produto simplesmente começou a reagir. De que forma? Vou usar uma maneira simplória de falar: o produto fermentou, começou a reagir, originando essa cortina de fumaça. Foi como se você estivesse colocando fogo em um mato verde.

DC – Mas o NPK se misturou com algum outro produto ou alguma outra coisa?
Santos – Não. Eu tinha apenas esse produto no armazém, não havia nenhum outro tipo de fertilizante ali. E houve uma reação. Os meus funcionários que estavam lá naquele momento não sabem de onde partiu. Eles simplesmente viram uma cortina de fumaça.

DC – E chamaram os bombeiros?

Santos – Pela quantidade de fumaça, que se propagou rapidamente, acionaram os bombeiros e tiveram que sair do armazém por precaução. A gente não teve capacidade de reação pela velocidade da propagação da fumaça.

DC – E a água é adequada para combater essa reação química?
Santos – A gente está desde o acidente nessa operação. Hoje (quarta-feira) à tarde, o comando reunido decidiu que a operação para realmente resolver é muita água, água em abundância. Então a gente está aqui com mais de 20 caminhões-pipa sendo reabastecidos para fazer o produto baixar a temperatura. O armazém não caiu, o produto não explodiu, não houve vítimas.

DC – E a questão dos alvarás?
Santos – Esse armazém tem 4,5 mil metros quadrados, foi construído em 2005, é com terreno próprio da empresa e com CNPJ da empresa. Temos alvará de licença para construção, temos os projetos arquitetônico e elétrico. E foi feita vistoria dos Bombeiros de São Francisco do Sul na época, onde foi emitida aprovação do projeto de combate ao incêndio e o alvará de licença de operação. E depois disso, temos ainda, o habite-se do armazém. Temos alvará para licença de construção, temos os projetos arquitetônico, elétrico, hidráulico e hidrossanitário aprovados e o habite-se em que a prefeitura veio e vistoriou e deu condições de uso. Além desses documentos, temos ainda licença ambiental. Licença Ambiental Prévia, Licença Ambiental de Instalação e Licença Ambiental de Operação. A Fatma, regional de Joinville, emitiu a Licença Ambiental de Operação.

DC – E o que passou pelos bombeiros de São Francisco?
Santos – Eu apresentei o projeto lá em 2005, junto com os projetos arquitetônico, elétrico, hidráulico e hidrossanitário. E esses documentos têm carimbo de projeto aprovado e, quando a prefeitura emite o alvará de construção e o habite-se, automaticamente para a prefeitura dar o alvará o bombeiro tem que assinar como estando de acordo. E foi o bombeiro de São Francisco do Sul, foi feito lá em 2005. A cada ano ou a cada data, licenças ambientais são a cada dois anos, o alvará de funcionamento é anual, e a gente vem renovando periodicamente. O que é de dois em dois anos a gente renova de dois em dois anos e o que é anual a gente renova a cada ano.

DC – O Corpo de Bombeiros Militar de São Francisco do Sul diz que o armazém não existe, não houve vistoria no local...
Santos – Não sei quem deu essa informação para vocês, mas te garanto que essa informação não procede, tanto que amanhã vou entregar todos os documentos que a gente tem em mãos e que autorizam o funcionamento do terminal. Tanto da prefeitura como dos bombeiros de São Francisco do Sul.

DC – Então o senhor tem esses documentos?
Santos – Uma empresa que tem um terreno de 30 mil metros quadrados, um armazém de 5 mil metros quadrados, você acha que essa empresa estaria funcionando desde 2005, oito anos, sem documentação? Como eu conseguiria renovar anualmente o alvará de funcionamento, sem documentação? Impossível.

DC – Mas não estaria faltando um outro alvará ou licença ou mesmo uma vistoria?
Santos – O que existe: já te falei das licenças ambientais, das licenças municipais para construção e funcionamento. Além disso, temos um registro do Ministério da Agricultura, que faz uma vistoria no local para ver se temos condições de receber fertilizantes. Também temos esses documentos. Essas são as licenças operacionais que eu tenho. O que pode ocasionar dúvida nessa questão? Nós temos em São Francisco do Sul o bombeiro voluntário e que sempre trabalhou aqui há muitos anos e temos agora uma unidade do Corpo de Bombeiros Militar estadual. E estamos agora nesse processo com o Corpo de Bombeiros Militares. Talvez aí esteja surgindo a dúvida, porque uma unidade tem a nossa documentação e a outra não.

Fonte: Diário Catarinense. Entrevista de Rosane Felthaus.

 

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